A Harvard Medical School realizou um estudo, com base na análise a algumas das instalações hospitalares mais informatizadas dos Estados Unidos, segundo o qual o elevado nível de tecnologia existente nessas instituições não contribuiu para poupar dinheiro ou para aumentar a sua eficiência administrativa.
O estudo recentemente divulgado avaliou os dados recolhidos junto de quatro mil hospitais os EUA durante um período de quatro anos, concluindo que o custo de instalar e administrar sistemas de TI nos hospitais é muito maior do que qualquer poupança que se preveja obter. Além disso, grande parte do software que está a ser criado para utilização específica em clínicas e outras instituições de saúde está feito a pensar nos seus administradores, não nos médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório.
O estudo surge numa altura em que o governo federal dos EUA se prepara para atribuir 19 mil milhões de dólares em incentivos à indústria dos cuidados de saúde para que implemente sistemas de registos médicos electrónicos. Assim, a partir de 2011, o Health Information Technology for Economic and Clinical Health (HITECH) Act irá atribuir cerca de 64 mil euros a cada médico que implemente um sistema de registos electrónicos e o utilize eficientemente.O problema é que "estes sistemas foram criados a pensar nos departamentos de contabilidade e gestão e não contribuem para ajudar médicos, enfermeiros e pacientes", declara o autor do estudo, o Dr. David Himmelstein.
Este responsável, professor da Harvard Medical School, sustenta que, no seu estado actual, a tecnologia utilizada nos hospitais pode contribuir modestamente para melhorar a qualidade dos processos, mas não reduz os custos administrativos globais. "Logo para começar, há que investir 25 milhões de dólares no sistema propriamente dito e contratar o pessoal adequado para o gerir, o que pode envolver até mil pessoas dependendo da dimensão da unidade hospitalar”, sublinha, acrescentando que, além disso, “implica que os médicos têm que gastar mais tempo do que o usual a introduzir dados no sistema".
David Himmelstein diz, ainda, que apenas alguns hospitais e clínicas registaram ligeiras reduções de custos e aumentos na sua eficiência, sendo no entanto que estas unidades só o conseguiram porque personalizaram os seus sistemas, após meses de investigação por parte de uma equipa de arquitectos de sistemas.
O professor dá o exemplo do Brigham and Women's Hospital em Boston, do Latter Day Saints Hospital em Salt Lake City e do Regenstrief Institute em Indianápolis, como unidades onde foi obtido algum sucesso na implementação de sistemas de e-health eficientes, considerando que isso só aconteceu porque os sistemas em causa foram concebidos a pensar nos clínicos, não nos administradores.
Os criadores destes sistemas contaram a Himmelstein que não escreveram quaisquer manuais de utilização ou disponibilizaram formação aos funcionários. "Se precisamos de um manual ou de formação, é porque o sistema não funciona”, opina. Embora muitos profissionais da saúde acreditem que a informatização contribui para melhorar a qualidade dos serviços prestados, reduzir custos e aumentar a eficiência administrativa, o estudo da Harvard Medical School lembra que até ao momento não tinha sido feito qualquer estudo para avaliar os custos e benefícios da informatização numa amostra representativa do sector da saúde. De acordo com o relatório da instituição, mesmo os hospitais com um nível de utilização tecnológico acima da média não registaram melhores níveis de qualidade e custos que a generalidade das instituições de saúde.
David Himmelstein e a sua equipa de investigadores analisaram a informatização de aproximadamente quatro mil hospitais entre 2003 e 2007 pertencentes à Healthcare Information and Management Systems Society, bem como os custos administrativos incluídos nos Medicare Cost Reports e os custos e qualidade referidos no 2008 Dartmouth Health Atlas.
David Himmelstein, que já foi director de computação clínica do Cambridge Hospital em Massachusetts, escreve no seu relatório que a ideia pré-concebida segundo a qual a informatização proporciona reduções de custos às unidades hospitalares não é nova e dá como exemplo os anúncios publicitários da IBM e da Lockheed nos anos 60 do século passado, onde a informatização era promovida como uma forma de reduzir a utilização do papel e melhorar os cuidados de saúde prestados. O mesmo tipo de mensagem foi insistentemente passado por peritos na matéria, já no decorrer da década de 90.
Em 2005, um grupo de analistas projectou uma redução anual de custos de 77,8 mil milhões de dólares através da informatização dos cuidados de saúde, enquanto outra consultora avançava com uma previsão de poupança de 81 mil milhões de dólares, bem como um forte melhoramento na qualidade dos serviços prestados. Hoje, o website dedicado à tecnologia ao serviço da saúde do governo federal dos EUA proclama que "o alargamento da utilização das TI na saúde irá: melhorar a qualidade dos cuidados de saúde; prevenir erros médicos; reduzir os custos dos cuidados de saúde; aumentar as eficiências administrativas; diminuir a utilização de papel; e tornar os cuidados mais acessíveis".
Mas o relatório de David Himmelstein diz que, "infelizmente, estas atractivas vantagens não têm reflexo nos dados que dispomos. Um relatório de 2006 realizado para a Agency for Healthcare Research and Quality detectou de facto algumas melhorias em qualidade e custos com a informatização de algumas instituições, mas de uma maneira global não foram registados benefícios significativos.
David Brailer, o homem que tinha a seu cargo a pasta das tecnologias ao serviço da saúde no tempo da administração de George W. Bush, dizia já este ano que 25 a 35 por cento dos cerca de cinco mil hospitais do país usam ou estão em vias de usar sistemas de registos electrónicos. Agora presidente da Health Evolution Partners, uma firma de investimentos especializada no financiamento de prestadores de cuidados de saúde, David Brailer acredita que a implementação em todo o país de um sistema de e-health poderá custar entre 75 a 100 mil milhões de dólares, o que implicaria um grande esforço financeiro, sobretudo para as unidades de menor dimensão. Mesmo assim, este responsável acredita que um sistema nacional de registos de saúde electrónicos poderá contribuir para reduzir os custos do sector da saúde nos EUA em cerca de 200 mil milhões de dólares anuais, na medida em que iria reduzir os registos duplicados e os custos inerentes à manutenção desses registos, evitar acções fraudulentas e proporcionar uma melhor coordenação entre prestadores de cuidados de saúde.
David Himmelstein, diz, por seu turno, que estas afirmações não têm fundamento. "Há demasiado tempo que as pessoas insistem que os computadores proporcionam importantes reduções de custos e recompensas extraordinárias no sector da saúde. Creio que é tempo de pararmos de fazer alegações sem provas. Não há qualquer indicação válida de que a informatização dos cuidados de saúde irá poupar dinheiro ao país", sublinha.











finalmente encontramos um estudo sério a respeito da informatização no âmbito da medicina. Como neurocirurgião venho a alguns anos combatendo a forma concebida de novos inventos e parnafenália eletrônica impostos por administradores e entusiastas da informática na atividade diária. Vejo que passa apenas de transferência de trabalho de administrador para o médico, o qual tem toda responsabilidade de atender o paciente, executar, procedimento, preencher formulários, atestados,laudos, descrições cirúrgicas, evolução no prontuário diariamente. A imposição da máquina na atividade médica só proporcionou maior conforto aos administradores, sem contrapartida para a atividade médica, que se viu diante de mais uma tarefa a ser desenvolvida. Os programas médicos e de prontuários eletrônicos são desenhados para satisfação administrativas, não concedendo benefício ao médico. São lentos, pesado e roubam um tempo importante na atenção ao quadro médico. Diante das exigências do mercado onde somos obrigados a atender um grande número de pacientes para um ganho financeiro,há portanto perda de produtividade. Segundo lugar há uma transferência de atenção para a máquina e seus afazeres ocasionando desatenção e desconcentração ao quadro do paciente.Ë simples, pense como aprendemos a pensar e escrever, podemos expressar nosso pensamento em apenas uma linha e de modo simples, da direita para esquerda e de cima para baixo. No uso do computador é necessário pensar antes na lógica da máquina para após expressar nosso conhecimento antes adquirido. Não há revolta de minha parte com uso da informática na medicina, porém esta não contribui para nenhuma segurança no atendimento ao paciente, não melhora a relação médica,não evita erros médicos relacionados a má prática e não reduzem o tempo perdido no atendimento pessoal ao paciente. A introdução da informática como interface no atendimento não melhora a qualidade médica, podendo inclusive acarretar distúrbios na linguagem e ocasionando mal entendidos. Visualizo diariamente na minha atividade perda de tempo das equipes diante de computador sem no entanto dispensar o mesmo tempo ao paciente( especialmente nas CTI), vejo o nível de ansiedade destes profissionais ocasionados pela imposição dos administradores na sua ânsia de controle absoluto. Esta transferencia de atividade com sobreposição de tarefas ocasiona desfechos indesejáveis como preenchimento incompleto de prontuários, dados insuficientes, sobrecarga de trabalho, permanência da baixa remuneração médica. Há que elaborar prontuários médicos e sobre tudo informatização da saúde com outros parâmetros e linguagem onde facilitem a atuação médica, reduzam o tempo dispensado no preenchimento, interface mais próxima da linguagem adquirida e da escrita desenvolvida nos primeiros anos da nossa vida. As gerações mais novas possuem mais habilidades com os computadores,porém esta habilidade não se traduziu em melhora na atividade médica e nos resultados.