“Investir na fixação de empresas estrangeiras cria mais distorção”

17 de Novembro de 2009 às 16:53:03 por João Nóbrega

Tim McNulty, vice-presidente de relações governamentais da Universidade de Carnegie Mellon, prefere o investimento em pequenas empresas baseadas na actividade empreendedora do que pagar para multinacionais terem unidades no país. Em entrevista ao Computerworld, explica mesmo que os governos escolhem mal as empresas “vencedoras “.

Computerworld – Que políticas de base sugere como suporte da transferência de tecnologia para a sociedade e para o mercado?

Tim McNulty – Têm a ver com a criação de culturas de risco nas faculdades, e a vontade de sair da universidade, sem que isso tenha impacto na carreira académica. Muitos dos professores nos Estados Unidos gastam 20% do seu tempo para prestar serviços de consultoria. É necessário dar liberdade para os académicos contactarem com o mundo empresarial.
Para isso,  é necessário ter políticas  centradas nas faculdades e recompensas mais adequadas: que tem a ver com a ideia de recompensar o empreendedor.


CW – Investir verbas públicas em start-ups ou em trazer empresas estrangeiras, o que defende para um país como Portugal?

TN – Investir na fixação de empresas estrangeiras cria muito mais distorção do que apostar em investigadores que depois de beneficiarem de dinheiros públicos formam a sua empresa.
Mesmo no caso de haver insucesso na estratégia da empresa é útil manter os investigadores nas empresas e estimulá-los: a continuar investigar ou a gerar outro conhecimento. Os governos são fracos a escolher empresas vencedoras. O que é preciso é criar condições com uma matriz de apoio. E se isso for criado, também haverá lugar para a serendipidade. É essencial criar um ambiente de colaboração entre talentos, de experiência em empreendedorismo e infra-estrutura de suporte.

CW – O que define inovação hoje?

TN – É um fenómeno de rede, um processo durante o qual um projecto recebe contributos de diferentes estilos de várias áreas, atraindo ideias e vontade de executar. Isto pode resultar num cenário no qual será normal ter engenheiros em Lisboa e programadores na Índia, com vantagens competitivas.

CW – Quando fala de economia de “mudanças” refere-se a quê exactamente?

TN – Cada vez mais, há empresas que crescem e encolhem muito rapidamente comprovando a grande volatilidade do ambiente económico. Não nos podemos “agarrar” às organizações. Temos de ir alimentando a volatilidade. Algumas empresas morrem, outras sobrevivem. Em poucos anos haverá novas empresas a substituir as líderes de hoje. É uma economia mais ‘refrescante’ do que a economia antiga”, considera.

CW – Porque fala tanto de inovação em comunidades?

TN – Tecnologia e inovação está cada vez mais centrada em comunidades locais, sobretudo no que tem a ver com eficiência energética. Usam-se as TIC integradas com outros sistemas para melhorar a qualidade de vida, no processo as comunidades estão a tornar-se “laboratórios”. Mesmo que não se desenvolva um produto de muito sucesso, pelo menos haverá de certeza um impacto importante na vida populações.

CW – Preconiza uma economia de empresas pequenas e médias?

TN – Devem existir grandes empresas porque acabam por ser fonte de capital. Além disso, também fazem spin-off de unidades em empresas e criam novas dinâmicas, na economia.

Notícias Relacionadas

Insira um comentário, ou crie um trackback no seu próprio site.

Deixe o seu Comentário