Embora fosse frequente que as empresas tivessem o seu próprio data center para enviar e receber tráfego Web, um novo estudo divulgado pelo fabricante de soluções de segurança Arbor Networks sugere que isso já não acontece tanto.No seu relatório “Internet Observatory”, a Arbor sustenta que a consolidação de fornecedores de conteúdos conduziu ao aumento do número de “grandes fornecedores de serviços de alojamento, cloud e conteúdos", que geram e consomem cerca de 30 por cento de todo o tráfego na Internet.
A Arbor estima, por exemplo, que só o Google represente seis por cento de todo o tráfego mundial.
Craig Labovitz, cientista principal da Arbor, diz que existem várias razões para esta migração do tráfego de data centers individuais para aquilo a que chama de "hiper-gigantes", como o Google, o Facebook e a Microsoft, nomeadamente os custos crescentes e os recursos necessários para manter um centro de dados e os esforços agressivos por parte das grandes empresas no sentido de comprarem outras empresas das áreas do vídeo, e-mail e outros serviços Web. Além disso, este responsável afirma que as empresas que construíram os seus próprios data centers há anos atrás acabaram por perceber que rapidamente se tornaram obsoletos e que seriam necessários investimentos de monta para o actualizar.
"Até há poucos anos atrás, havia uma abundância exagerada de data centers. Mas os que foram construídos há cinco anos estão agora desactualizados, existindo hoje toda uma geração de centros de dados impossíveis de modernizar", sustenta Craig Labovitz.
A solução para as empresas, diz, foi consolidar as suas infra-estruturas através de projectos de virtualização ou o outsourcing de muitas das suas operações de TI para sistemas cloud.
"No que toca aos serviços de Web e-mail, temos observado uma forte migração do tráfego, que passou dos pequenos data centers empresariais para as mãos das grandes companhias”, refere este especialista, sublinhando que o custo dos data centers começou a afectar a rentabilidade das empresas, obrigando-as a repensar a sua estratégia.
A Arbor afirma que outra consequência da consolidação no mercado dos fornecedores e das redes de conteúdos é a perda progressiva de importância de fornecedores intermediários, como a Verizon Business, AT&T e Level 3 na disponibilização de tráfego Web. E uma vez que estas companhias perderam alguma da sua rentabilidade no mercado de transição, a Arbor diz que estão a virar-se cada vez mais para a oferta de serviços de valor acrescentado.
"Ao longo do tempo, os serviços de conectividade IP tornaram-se difíceis de distinguir de um fornecedor para o outro", afirma a Arbor no seu relatório, acrescentando que "como resultado, os fornecedores começaram a competir fortemente ao nível do preço, o que acabou por se reflectir numa baixa dos preços do mercado IP grossista e obrigou muitas redes Tier 1 a optar pela oferta de produtos de valor mais elevado, como CDN, cloud computing e soluções para empresas".
A Arbor conduziu o seu estudo através de uma análise a cerca de três mil torres de transmissão que atravessam nove fornecedores Tier-1, 48 Tier-2 e 33 fornecedores de conteúdos e acesso em quatro continentes. A Arbor reporta que "no seu pico, o estudo monitorizou mais de 12 terabits por segundo de carga oferecida e um total de mais de 256 exabytes de tráfego Internet."










