TV com Internet seduz cada vez mais

19 de Outubro de 2009 às 11:38:12 por João Nóbrega

Os aparelhos de TV preparados para aceder à Internet deverão registar uma forte adesão por parte dos consumidores nos próximos anos, uma vez que os espectadores estão muito receptivos à ideia de poder executar widgets nos seus ecrãs de televisão, sustenta um estudo divulgado esta semana pela Ernst & Young.

Os widgets – ou mini-aplicações Web – já estão actualmente a ser usados em dispositivos como telemóveis e computadores, podendo chegar em breve aos ecrãs de TV, vaticina o estudo. Os TV widgets são concebidos para aceder a conteúdo seleccionado da Internet, por forma a complementar a oferta de programação televisiva. Por exemplo, os utilizadores podem optar por ver informação na TV ou comprar produtos anunciados na televisão a partir de lojas online.
Muitos consumidores consideram atractiva a ideia de misturar TV com informação existente na Internet e, por isso, o estudo aponta para uma explosão na venda de dispositivos preparados para este conceito, dos 500 mil esperados em 2009, para os seis milhões em 2013.

Os widgets poderão também contribuir para juntar conteúdos da Internet e da TV. As emissões de TV já estão em forte concorrência com a Web pela captação de espectadores, e os widgets podem vir a facilitar a pesquisas de conteúdos pelos dois meios, dando assim mais opções de entretenimento aos consumidores.
Muitos websites e empresas de tecnologia estão a desenvolver um ecossistema que permita juntar os conteúdos existentes na Internet com os disponibilizados na TV. O Myspace.com, por exemplo, desenvolveu um widget que associa a TV à sua oferta em termos de rede social. Os tele-espectadores podem trocar mensagens de email ou ver fotografias no MySpace, activando um widget na base do ecrã de TV. Os utilizadores não precisam assim de ter um browser para aceder aos conteúdos do MySpace.

 

Fabricantes aprovam "casamento"

 

Os fabricantes de TV, apercebendo-se do potencial deste “casamento”, já anunciaram planos no sentido de desenvolver aparelhos preparados para este intercâmbio de conteúdos. A Sony, a Samsung e a LG já vieram dizer que os seus modelos de TV plana de alta definição serão capazes de executar widgets ou fazer o download de filmes a partir de serviços de entretenimento online como o Netflix.
Na semana passada, a Intel anunciou o seu processador CE4100, que permite a utilização de aplicações Internet e multimédia a partir das televisões. A Intel está, ainda, a trabalhar em parceria com companhias como a CBS e a Cinemanow no sentido de levar os widgets para as TVs.
As TV com acesso à Internet já têm tentado a massificação ao longo dos últimos 15 anos, desde que a Time Warner Cable lançou o serviço iTV em Orlando, refere a consultora E&Y. Desde aí, outras tentativas surgiram pelas mãos de companhias como a AOL, BSkyB, RespondTV, Hewlett-Packard e Apple, tentando levar a Internet Às televisões através de dispositivos como set-top boxes ou adaptadores.
O sucesso dos widgets dependerá das aplicações que os utilizadores quiserem ter nos seus televisores. O acesso através de um só clique a conteúdos on-demand a partir de lojas de filmes online será um bom exemplo de um widget bem recebido pelos consumidores.
Todavia é necessário que os widgets para TV sejam adoptados pelas grelhas de programação das televisões e pelos operadores de cabo. Os operadores procurarão rentabilizar os widgets através do desenvolvimento de um modelo de vendas de publicidade à sua volta, o que, de acordo com o estudo, poderá representar alguns desafios. Por exemplo, os espectadores poderão migrar a sua atenção dos programas de TV para os widgets, o que acabaria por afectar as audiências das grelhas televisivas.

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