Investimentos em TI não vão recuperar totalmente

19 de Outubro de 2009 às 11:47:07 por João Nóbrega

Os investimentos em tecnologia não regressarão aos níveis anteriores a actual recessão económica global a tempo da chegada da próxima grande crise, vaticina a consultora IDC. Dando uma visão algo cinzenta sobre a matéria, a consultora acredita que a generalidade dos responsáveis de TI verá os seus orçamentos crescerem, mas apenas para níveis inferiores aos registados antes do início da recessão.

No evento de lançamento do novo sistema operativo da Microsoft, o Windows 7, no Reino Unido, o investigador da IDC, Chris Ingle, aconselhou os gestores de TI a prepararem-se para a continuidade das condições difíceis, dizendo que o melhor que conseguem prever é um crescimento de dois por cento na despesa com tecnologia até 2013. Quanto à evolução do emprego na área das tecnologias no Reino Unido, deverá esperar-se apenas um por cento de crescimento nos próximos quatro anos, segundo o mesmo analista.
"Sempre que temos uma recessão, nunca conseguimos regressar aos anteriores níveis de investimento. E o mesmo se passa agora. Os orçamentos de TI não voltarão a ser os mesmos", sublinha Chris Ingle, para quem “o problema é que, embora as condições económicas estejam gradualmente a melhorar, teremos que fazer muito mais com menos".

Por isso, o analista avisa que as empresas têm que se preparar para a contracção e consolidação das suas infra-estruturas e para o crescimento dos serviços cloud, devendo, ainda, ser extremamente criativas, porque muitos dos ganhos em eficiência lógicos foram obtidos na última recessão. "Da última vez, os CIOs consolidaram as suas infra-estruturas, o outsourcing ganhou importância e as empresas exerceram pressões no sentido de esmagar as margens dos seus fornecedores", refere.
De qualquer forma, as empresas devem procurar maneiras de consolidar ainda mais as suas infra-estruturas, tornando-as "menos distribuídas e mais poderosas”. Contudo, na opinião de Chris Ingle a virtualização pode já estar tão madura no Reino Unido que já não constitui uma solução inovadora. "Depois de tudo o que já foi virtualizado, o que resta fazer?", questiona.

 

Perto de novo "nível radical da TI"

 

Adiantando as suas previsões para aquilo a que chama de próximo "nível radical das TI", Ingle aconselha as empresas a prepararem-se para "a convergência de clouds públicas e privadas".
De acordo com o estudo da IDC, 13 por cento das empresas britânicas já utilizam mais de sete serviços cloud, e Ingle prevê que a norma, no futuro, será a utilização de uma mistura de serviços físicos e online. "O cloud computing irá apenas aumentar a influência dos utilizadores, o que resultará no declínio das equipas de TI e do pessoal de manutenção", considera o analista.
Na sua opinião, as empresas devem prestar particular atenção às oportunidades associadas à automatização de processos, por forma a reduzir custos e a aumentar a sua flexibilidade. E o melhoramento da visibilidade dos projectos e a gestão financeira devem, também, ser áreas de mudança estratégica para as empresas, conclui o analista.

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