“A interoperacionalidade é um mito!”

14 de Outubro de 2009 às 15:39:18 por João Nóbrega

No rescaldo, ainda a quente, do debate integrado no VII Encontro Nacional sobre Tecnologia Abertas, o director-geral da Sybase, Eduardo Taborda, não hesitou em duvidar da aposta da Microsoft, e outros fabricantes adeptos de tecnologia proprietária, em desenvolver pontes entre os seus produtos e os ambientes open source. A desconfiança leva o responsável pela organização do evento, a afirmar concretamente que a “interoperacionalidade não existe!”. Os padrões existem, mas questão não passa por esse aspecto mas sim pelas dificuldades de trabalhar com ferramentas como o Powerpoint e muitas ferramentas de colaboração, proprietárias.

Taborda acredita que o tempo fará os fabricantes de tecnologia proprietária mudarem de estratégia e atitude. Contudo há um aspecto essencial que tem de acontecer: “os consumidores e cidadãos precisam de exercer maior pressão e fazer lobby contra os fabricantes de tecnologia proprietária”. Entretanto, o responsável desconfia da boa vontade da Microsoft e de outras companhias. E coloca um desafio: “Se há empresas que estão a trabalhar e caminham no mesmo sentido, o da interoperacionalidade, porque ainda não se encontraram no mesmo sítio?”
Para haver interoperacionalidade, tem de haver “uma camada única de padrões”, na visão do responsável. Não podem ser estabelecidos “acordos bilaterais, contratos secretos, delimitando aquilo que pode ser aberto”. Segundo o executivo da Sybase, uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos fabricantes de tecnologia baseda em padrões abertos, são os entraves levantados por contratos globais estabelecidos por fabricantes de tecnologia proprietária. Esses contratos vedam muitas vezes a possibilidade de entrada em muitos mercados. Por isso ouve, com ironia, a Microsoft anunciar os seus esforços para estabelecer pontos de interoperacionalidade com os ambientes de código aberto.

 

Colaboração sim mas com lucros

 

O debate integrado na conferência parecia que ia morrer a qualquer instante quando uma intervenção de um membro da direcção da ESOP estimulou a troca de ideias. A iniciativa procurava colocar em questão a boa vontade de a Microsoft contribuir para a convivência entre plataformas de software de código aberto na administração pública e software fechado. Os ânimos incendiaram-se quando o responsável confrontou o representante da Microsoft no evento, Sérgio Martinho, com um acontecimento: uma visita de responsáveis da Microsoft à assembleia da República na tentativa de fazer lobby junto de uma comissão no sentido de bloquear a utilização de software de código aberto em iniciativas da administração pública. O executivo da Microsoft não contestou. E preferiu mais tarde lembrar que a Microsoft é uma empresa cujo objectivo é o lucro, e que por isso tem de zelar pelo cumprimento dos seus objectivos. “Não peçam que lutemos para ser instalado software de código aberto. Somos uma empresa comercial”, sublinhou. O mesmo responsável pediu compreensão para a possibilidade de os esforços da Microsoft nem sempre correrem bem.”O facto de mostrarmos abertura para certas iniciativas não quer dizer que o que fazemos resulte sempre bem”, explicou.

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