“A informação em tempo real está a substituir os planos”

13 de Outubro de 2009 às 01:04:12 por João Nóbrega

A abertura do último SAS Fórum teve a presença do economista sueco Kjell A Nordström,  professor na Stockholm School of Economics, o qual explicou como a informação e a forma como a ela acedemos, e como a partilhamos está a alterar o cenário económico do mundo. Autor do livro "Funky Business-Talent makes capital dance", o docente não esquece, numa visão macroeconómica, de apontar outros factores da evolução da economia, como o “assalto” das mulheres às universidades, ou outras transformações demográficas.

A grande atracção preparada pelo SAS Institute , a apresentação do economista sueco Kjell Nordström só poderia estar centrado num assunto: informação. O professor da Stockholm School of Economics comparou-a à temperatura média global, cujo nível tem aumentado. O aumento da temperatura é o que estará na origem das alterações climatéricas e o crescente volume de informação estará na base de muitas mudanças em curso. Para ilustrar o impacto das alterações provocadas pelo aumento de informação o docente explica como “a cada dia estaremos a ficar mais estúpidos” face ao volume de conhecimento produzido, e impossível de assimilar, tanto por indivíduos como empresas. “Por isso, será importante as empresas colaborarem, para a acederem a informação e conhecimento”.
Mas além disso, dada a instabilidade sócio-económica cada vez mais presente, será mais difícil planear acções. Não se trata, do fim do capitalismo, na opinião de Nordström, o qual não o classifica não como uma ideologia, mas como uma máquina, hoje afectada em alguns componentes. Neste contexto de instabilidade, “a informação em tempo real está a substituir os planos”. O universitário aponta a forma como os adolescentes convivem com a instabilidade, usando a tecnologia, especialmente os telemóveis, para irem decidindo e alterando o que fazer nos seus tempos livres com os amigos. Antes, o economista já tinha frisara como o aspecto da informação em tempo real é importante, ao salientar que “o capitalismo é uma máquina de separar entidades eficientes das ineficientes”.

Condicionantes actuais do capitalismo

 

Há mudanças que estão a condicionar o capitalismo apesar de não se conseguir explicá-las, na visão do economista. O docente referiu primeiro o “assalto” das  mulheres às universidades, numa  dimensão que leva o sueco a prever um cenário a 15 anos, no qual  “haverá falta de homens formados”. Na análise do mesmo, refere que é um fenómeno “fundamental” a acontecer tanto em Marrocos, como no Egipto ou na Rússia. Além do impacto nas características da população activa, será necessário ter em conta as diferenças “enormes” entre homens e mulheres. “Elas evitam o risco, enquanto eles arriscam demasiado”.
A segunda tendência assinalada por Nordström é o aumento das casas de solteiros  – “em Estocolmo já representam 64% –  sem que por isso haja menos crianças. O seu número até aumentou, mesmo havendo menos núcleos familares com dois pais, segundo o professor. E  este  facto tem impacto nas necessidades de uma sociedade, como por exemplo na área dos  transportes.
Além disso, é cada vez mais vísivel a concentração de população nas  cidades. “Actualmente 70% da actividade económica no território da  Grã-Bretanha, decorre em Londres”, diz o economista.
Por outro lado, o mercado mundial vai  crescer ainda mais, sendo hoje de seis milhões de pessoas. “Não é só o impacto da China, mas também do Brasil, da Índia, da Rússia…”, ressalva o professor.
Aspecto fulcral, na evolução do capitalismo, é situação dos Estados Unidos: o economista descarta a hipótese de o país estar a entrar em queda. Aliás, nem os considera um país. “São uma ideia, num bocado de papel, um projecto em construção”. Por isso, é mais fácil tornar-se “americano”. “Na europa, é costume serem necessárias, pelos menos três gerações,” brinca Nordström. Esse tipo de mentalidade  tem impacto no  correcto funcionamento de uma meritocracia salienta. Segundo o mesmo, entre as cem pessoas mais importantes da Siemens, apenas uma não é alemã…É austríaca. O que para o economista mina o desenvolvimento da empresa.
Para o docente há outra crise além da financeira. Tem a ver com a “fraca diferenciação entre produtos”, e a maior dificuldade de manter “monopólios temporários tecnológicos” capazes de suportar durante o tempo suficiente um negócio altamente rentável. A grande causa desta tendência tem sido a emergência da sociedade da informação – “iniciada há 10 ou 15 anos”.

 

Ser um pavão no mercado

 

Face às conjunturas criadas pela emergência da sociedade da informação, Nordström considera que as empresas fizeram as suas reorganizações, mas não foram suficientes. Por isso, o economista propõe três abordagens, possiveis, muito práticas, apesar das analogias arrojadas. As empresas podem optar por desenvolver as suas capacidades de adaptação, de mudança, e em suma de resiliência. Ou escolher a estratégia do “pavão”, escolhendo tácticas suficientemente exuberantes, para atrair, sobressaindo perante a concorrência, e suplantar as deficiências de robustez. “O pavão está tudo menos preparado para sobreviver, apresentando uma cauda enorme, sem ter presas e sendo muito pouco ágil. Mas conquista facilmente as fêmeas”, lembra o economista. “E nós também estamos emocionalmente ligados”.
A terceira via, para Nordström, é seguir as duas abordagens ao mesmo tempo. Mas o risco é muito maior, sustenta.

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