Recessão faz subir taxa de insucesso nos projectos

6 de Julho de 2009 às 02:18:10 por João Nóbrega

As reduções orçamentais e os despedimentos no seio das empresas de tecnologia, como consequência da actual crise económica, estão a ter um sério impacto nas taxas de sucesso dos projectos de TI, de acordo com os resultados do relatório “CHAOS Summary 2009”, publicado recentemente pelo The Standish Group.

A consultora norte-americana Standish Group inquiriu 400 organizações e não só detectou um decréscimo nas taxas de sucesso dos projectos de TI, como também um aumento nas taxas de insucesso desses projectos, ao longo dos últimos dois anos. Mais especificamente, apenas 32 por cento dos projectos de TI foram considerados bem sucedidos, por terem sido concluídos dentro dos prazos estabelecidos, dentro do orçamento disponível, e com as funcionalidades e objectivos pré-definidos. Perto de um quarto dos projectos (24 por cento) foram considerados como fracassos, por terem sido cancelados antes de concluídos ou por terem sido concluídos mas nunca utilizados. Os restantes projectos (44 por cento) foram considerados desafiantes: foram concluídos depois do prazo, ultrapassaram o orçamento definido ou acabaram por não disponibilizar todas as funcionalidades prometidas.
Jim Johnson, presidente do The Standish Group, afirma que esta é a primeira subida nas taxas de insucesso dos projectos de TI que ele vê "desde há muito tempo a esta parte". De acordo com o relatório agora apresentado, as taxas de sucesso dos projectos de TI sempre apresentaram uma tendência de crescimento, sobretudo entre 1994 e 2000, altura em que caíram fortemente, para voltar a crescer de novo entre 2002 e 2006.
A última vez que o The Standish Group divulgou as conclusões do seu estudo CHAOS foi em 2006, altura em que 35 por cento dos projectos foram bem sucedidos, enquanto 19 por cento foram considerados fracassos e 46 por cento foram encarados como desafiantes.
Jim Johnson conta que ficou tão surpreendido por ver esta queda nas taxas de sucesso dos projectos de tecnologia que decidiu esperar mais quatro meses antes de publicar o relatório CHAOS, para ter tempo de se certificar que os dados estavam correctos. Com efeito, este relatório é normalmente apresentado em Janeiro e, este ano, foi publicado em Abril.
Este responsável atribui a culpa da subida nas taxas de insucesso dos projectos de TI à recessão, que começou a fazer-se sentir já em Dezembro de 2007 e tem levado a consecutivas reduções orçamentais nas empresas.
"Muitos dos projectos foram cancelados devido à crise. Hoje, as pessoas estão muito mais prontas para cancelar um projecto do que estavam no passado. Quando vêem que um projecto não está a correr como planeado, é com uma certa facilidade que decidem cancelá-lo e passar à frente", sublinha o presidente da consultora, que não considera esta abordagem como sendo uma coisa má.
O mesmo responsável admite que muitos projectos foram parar à categoria de fracassados no relatório do The Standish Group porque a consultora nem sempre consegue distinguir se um projecto foi cancelado como consequência da recessão ou porque não estava a correr bem. Johnson estima que entre 20 a 25 por cento dos insucessos durante os últimos dois anos foram causados pelo estado da economia, que obrigou ao seu cancelamento, "mas não conseguimos dar um número preciso”.

 

Reduções de pessoal têm impacto negativo

 

As reduções de pessoal dentro e for a dos departamentos de TI também têm um efeito adverso na taxa de sucesso dos projectos. Com a sobreposição de tarefas resultante dessas reduções, os gestores de projecto e outras pessoas envolvidas nos mesmos têm menos tempo para se dedicar a cada um deles, o que acaba por afectar o normal desenvolvimento do projecto, adianta o presidente da consultora.
Além do mais, a recessão criou também uma aversão generalizada nas empresas face ao risco, levando-as a serem muito mais cautelosas nas decisões sobre novos projectos, o que acaba por abrandar o seu ritmo de implementação, tornando-os mais morosos. E, acrescenta, Johnson, “quanto mais um projecto demora a ser concluído, maior é a possibilidade de vir a falhar”.
Mas, apesar da subida no número de projectos considerados como fracassados, Jim Johnson acredita que as demoras na implementação e os custos totais dos projectos não são tão maus como no passado. "Quando olhamos para os projectos considerados desafiantes, vemos menos derrapagens orçamentais e o rácio de dinheiro desperdiçado não é assim tão mau, mesmo tendo em conta todos os cancelamentos que vimos”, afirmou.

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