Servidores para ajudar a manter iranianos na Web

2 de Julho de 2009 às 10:51:30 por João Nóbrega

Uma inspecção feita aos servidores proxy, oferecidos online ao longo dos últimos dias como forma de ajudar os iranianos a manterem o acesso a conteúdos não filtrados na Internet, mostra que esses servidores estão a ser alojados num total de 87 países diferentes.

Não se sabe, contudo, quantos desses servidores proxy foram propositadamente criados para ajudar os iranianos a contornar a censura imposta no acesso à Internet e quantos já existiam antes do “apagão” instituído pelo governo do país, como conta James Cowie, CTO da Renesys, uma empresa norte-americana de monitorização Web.
Um servidor proxy permite o acesso das pessoas à Web de uma forma completamente anónima. Por exemplo, um utilizador do Irão que tente aceder a um site de notícias online bloqueado no país pode configurar o browser para que este aceda através de um proxy ao serviço. O browser do utilizador não contacta directamente com o website, nem recebe qualquer conteúdo directamente, uma vez que todos os pedidos e respostas são processados através de um servidor proxy. Todo o que o utilizador precisa é do endereço IP do servidor proxy e um número de porta para aceder a ele.
Existe software disponível para permitir a qualquer utilizador transformar o seu computador num sistema proxy.
Desde que a instabilidade resultante das eleições eleitorais teve início no Irão, apoiantes do movimento de oposição ao presidente eleito têm vindo a promover listas de servidores proxy, disponibilizando-as aos iranianos através do Twitter e de inúmeros websites. Uma análise a cerca de dois mil destes servidores mostra que, embora muitos estejam localizados nos EUA e Europa Ocidental, outros estão disponíveis a partir de muitos outros países, como a China, Índia, Rússia, Roménia, Bulgária e Vietname.
Embora esta dispersão geográfica possa sugerir um apoio generalizado ao movimento de oposição do regime do Irão, a realidade deverá ser bem diferente, na opinião de James Cowie. Em muitos casos, os computadores que alojam os serviços proxy são máquinas previamente comprometidas com malware instalado que as transforma em servidores proxy. "Suspeito que muitos desses sistemas podem nem ter consciência que estão a executar proxies abertos", adianta o mesmo responsável.
É também provável que muitos dos proxies a circular na Web nos últimos dias sejam servidores antigos "obrigados a entrar ao serviço do povo iraniano", sustenta o CTO da Renesys, segundo o qual "alguns dos proxies são sem dúvida novos, criados por pessoas que querem manter a Internet viva para o povo do Irão, mas muitos não o são”.
É difícil dizer quantos os serviços proxy estão agora disponíveis para as pessoas que vivem no país. De acordo com James Cowie, a maioria dos serviços foi imediatamente bloqueada pelas autoridades assim que começou a ser publicitada no Twitter e noutros sites. Tendo em conta este facto, o número de novos proxies que estão a ser criados caiu ao longo dos últimos dias, sendo cada vez mais difícil obter informações sobre eles por parte das pessoas que necessitam de os utilizar.
O estudo da Renesys asurge numa altura em que o tráfego Webcaiu a pique no Irão, como resultado da aplicação de fortes restrições por parte do Governo do país. Uma análise ao tráfego de rede dentro e fora das fronteiras do Irão, realizada pela Arbor Networks na semana passada, mostra que o tráfego global caiu 50 por cento, enquanto o tráfego de vídeo e outros conteúdos interactivos sofreu um decréscimo de 80 por cento, ao que tudo indica devido à implementação de fortes mecanismos de filtragem por parte das autoridades.

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