Agência Europeia apela à cooperação para impulsionar IPv6

22 de Maio de 2009 às 11:06:05 por João Nóbrega

As empresas europeias não estão a ser pressionadas para acelerar a implementação do IPv6, de acordo com informações do registo europeu de Internet (RIPE NCC). Este organismo responde assim às notícias que chegam do ARIN, o registo norte-americano da Internet, que tem estado a enviar às empresas para que estas solicitem já os seus novos nomes de domínio. Nessas missivas, as empresas são avisadas de que o repositório de endereços IPv4 poderá esgotar-se dentro de dois anos e, como tal, deveriam apressar-se na adopção, o quanto antes, do IPv6, o novo e emergente standard da Internet. Foi o próprio presidente do ARIN, John Curran, quem o escreveu nas cartas enviadas às empresas norte-americanas no passado dia 15 de Abril, onde dizendo esperar que, a partir de 18 de Maio, as empresas “planeassem a adopção do IPv6, se Já não o tivessem feito”. A carta foi publicada no blogue do SANS Internet Storm Center.

A agência também afirmou que está a tomar estas medidas para “assegurar a legitimidade de todos os pedidos de endereços IPv4”, de modo a que as empresas que tenham uma verdadeira necessidade de obter um endereço Web possam fazê-lo sem problemas.
Mas esta não é uma abordagem que tenha tido eco na Europa. Axel Pawlik, director do RIPE NCC, já veio declarar que “nós tratamos de assegurar que a gestão e distribuição dos recursos da Internet sejam feitas da forma mais eficaz possível. E isto está a ser conseguido ao mesmo tempo que se têm em conta as diferenças culturais e económicas nestas regiões. Uma carta para informar os ISP da necessidade de acelerar a implementação do IPv6 pode resultar nos Estados Unidos e Canadá, mas nós não acreditamos que seja a melhor forma de comunicarmos com os membros da nossa associação na Europa”. O director do RIPE NCC admite que seria de extrema importância uma adopção mais acelerada do novo standard, mas destaca que é essencial uma cooperação entre todas as partes.
“Está previsto que se distribuam os últimos grupos de IPv4 em finais de 2010 e os cinco registos mundiais terão os seus endereços esgotados cerca de um ano depois. Por isso, é tão importante que os registos de cada região trabalhem em conjunto com o resto da comunidade da Internet, para que, juntos, possam assegurar uma migração segura para o IPv6 em todo o mundo e ajudar a salvaguardar o futuro desenvolvimento da Internet”, sublinha Axel Pawlik.
Ainda de acordo com o mesmo responsável, “as nossas operações e procedimentos estão totalmente auditados pelos nossos membros e por entidades independentes. Como resultado, estamos seguros de que são apropriados, eficazes e vantajosos para os nossos membros e para a região que servimos".
Mas a verdade é que tem havido uma certa relutância à volta da migração para o IPv6. Em Março último, um estudo realizado pela Internet Society reflectia sobre a inexistência de argumentos de negócio suficientemente apelativos para acelerar a adopção do nosso standard e, nesse mesmo mês, um relatório realizado pela Pingdom mostrava que só 0,25 por cento do tráfego na Internet era IPv6.

Notícias Relacionadas

Insira um comentário, ou crie um trackback no seu próprio site.

Deixe o seu Comentário