As empresas europeias não estão a ser pressionadas para acelerar a implementação do IPv6, de acordo com informações do registo europeu de Internet (RIPE NCC). Este organismo responde assim às notícias que chegam do ARIN, o registo norte-americano da Internet, que tem estado a enviar às empresas para que estas solicitem já os seus novos nomes de domínio. Nessas missivas, as empresas são avisadas de que o repositório de endereços IPv4 poderá esgotar-se dentro de dois anos e, como tal, deveriam apressar-se na adopção, o quanto antes, do IPv6, o novo e emergente standard da Internet. Foi o próprio presidente do ARIN, John Curran, quem o escreveu nas cartas enviadas às empresas norte-americanas no passado dia 15 de Abril, onde dizendo esperar que, a partir de 18 de Maio, as empresas “planeassem a adopção do IPv6, se Já não o tivessem feito”. A carta foi publicada no blogue do SANS Internet Storm Center.
A agência também afirmou que está a tomar estas medidas para “assegurar a legitimidade de todos os pedidos de endereços IPv4”, de modo a que as empresas que tenham uma verdadeira necessidade de obter um endereço Web possam fazê-lo sem problemas.
Mas esta não é uma abordagem que tenha tido eco na Europa. Axel Pawlik, director do RIPE NCC, já veio declarar que “nós tratamos de assegurar que a gestão e distribuição dos recursos da Internet sejam feitas da forma mais eficaz possível. E isto está a ser conseguido ao mesmo tempo que se têm em conta as diferenças culturais e económicas nestas regiões. Uma carta para informar os ISP da necessidade de acelerar a implementação do IPv6 pode resultar nos Estados Unidos e Canadá, mas nós não acreditamos que seja a melhor forma de comunicarmos com os membros da nossa associação na Europa”. O director do RIPE NCC admite que seria de extrema importância uma adopção mais acelerada do novo standard, mas destaca que é essencial uma cooperação entre todas as partes.
“Está previsto que se distribuam os últimos grupos de IPv4 em finais de 2010 e os cinco registos mundiais terão os seus endereços esgotados cerca de um ano depois. Por isso, é tão importante que os registos de cada região trabalhem em conjunto com o resto da comunidade da Internet, para que, juntos, possam assegurar uma migração segura para o IPv6 em todo o mundo e ajudar a salvaguardar o futuro desenvolvimento da Internet”, sublinha Axel Pawlik.
Ainda de acordo com o mesmo responsável, “as nossas operações e procedimentos estão totalmente auditados pelos nossos membros e por entidades independentes. Como resultado, estamos seguros de que são apropriados, eficazes e vantajosos para os nossos membros e para a região que servimos".
Mas a verdade é que tem havido uma certa relutância à volta da migração para o IPv6. Em Março último, um estudo realizado pela Internet Society reflectia sobre a inexistência de argumentos de negócio suficientemente apelativos para acelerar a adopção do nosso standard e, nesse mesmo mês, um relatório realizado pela Pingdom mostrava que só 0,25 por cento do tráfego na Internet era IPv6.










