Adopção de drives SSD aumenta nas empresas

23 de Abril de 2009 às 20:49:39 por João Nóbrega

Peritos da IBM, da Seagate e do fabricante de interfaces de cartões de armazenamento LSI afirmaram na passada terça-feira que a tecnologia de drives solid state disk (SSD) irá substituir as tecnologias de drives de disco Fibre Channel e serial SCSI na utilização de várias aplicações empresariais. Contudo, a indústria ainda precisa de standards que permitam medir o desempenho do SSD, sendo que os preços das unidades continuarão a limitar a sua adopção.

Posto isto, Clod Barrera, chief technical strategist da IBM, afirma que o ritmo a que as empresas irão adoptar o SSD nos seus data centers será superior ao registado pelos NAS (storage area networks) e pelas drives serial ATA.
Harry Mason, director de marketing da LSI, disse por seu turno que existem actualmente no mercado 70 a 80 fabricantes de pequenas drives SSD. "Existe hoje uma espécie de corrida ao ouro no que toca à oferta de SSD", afirmou durante a conferência Storage Networking World.
Na origem de uma adopção progressiva do SSD por parte das empresas está o facto de, numa altura em que os processadores de servidores duplicam as suas capacidades a cada 18 ou 24 meses, as drives de disco rígido – com velocidades médias de 10 e 15 mil rpms – já não conseguirem responder às necessidades das aplicações empresariais mais exigentes. Esta situação leva os administradores de armazenamento a adicionar capacidade computacional às unidades de armazenamento, adicionando-lhes mais drives mas pondo menos dados em cada uma delas, o que faz com que as taxas de utilização da capacidade baixem significativamente. Com tempos de leitura aleatórios muito superiores, são apenas necessárias algumas drives de SSD para substituir dezenas de drives de disco rígido, reduzindo assim o custo total de propriedade. Para Clod Barrera, isso significa que, “embora se gaste mais na compra das unidades, acaba-se por ter menos custos na utilização do sistema”.
Embora as opiniões dos três peritos variem um pouco no que se refere ao sucesso previsto na adopção da tecnologia SSD por parte das empresas, sobretudo tendo em conta que outras novas tecnologias começam agora a amadurecer, todos eles são unânimes quanto ao potencial da utilização de drives SSD na execução de operações mais intensivas, tais como processamento de transacções online, data warehouse e aplicações de análise de dados.
A IBM realizou recentemente um teste de benchmark a drives SSD de nível empresarial da STEC. Os resultados finais publicados esta semana mostram que a IBM utilizou sete conjuntos de 68 drives de disco rígido cada, contra um único conjunto de 96 SSDs. Os testes revelam que o grupo de SSD em alguns casos registou um desempenho 30% superior aos das restantes drives, cujos discos tinham velocidades médias de 15 mil rpm.
Num dos benchmarks, a IBM utilizou uma base de dados bancária com 40 milhões de contas e mediu o tempo que uma operação ATM normal demorou a ser concluída. "O tempo de resposta é aqui muito importante, porque o cliente está nesse momento à frente da ATM a carregar no botão, esperando ter uma resposta o mais rápida possível. É por isso que os 30 por cento de vantagem na performance são um factor muito importante", afirma Barrera, sublinhando ainda o facto de esse ganho no desempenho poder ser obtido apenas com uma simples mudança de drives.
Noutro benchmark, que simulou a execução de uma aplicação da indústria do retalho, a IBM testou um data warehouse de 350GB a correr pedidos de análise que seriam utilizados par a actualização de endereços de marketing.
A IBM utilizou um conjunto de discos SSD de 4.1TB, que produziu um milhão de I/Os por segundo. Os pedidos do data warehouse DB2 foram respondidos cinco vezes mais rapidamente do que com drives de disco rígido de 15 mil rpm.
Um dos factores que limitam uma adopção mais generalizada dos SSDs nas empresas é que tanto as memórias flash SSD SLC NAND como as drives de disco rígido de classe empresarial estão a baixar de preço a um ritmo de 40 por cento ao ano, não dando sinais de abrandar, como conta o responsável da IBM. Desta forma, as empresas podem comprar hoje uma drive de disco rígido de Fibre Channel ou SAS por cerca de 500 dólares, enquanto um SSD custaria cinco mil dólares. Assim, a menos que uma empresa tenha que executar aplicações de extrema exigência em termos de tempos de resposta, o investimento não se justifica.
Além disso, as drives SSD também não oferecem ainda funcionalidades completas de correcção de erros e não possuem capacidades nativas de encriptação, como sublinha Marty Czekalski, responsável de engenharia da Seagate. "As drives de disco rígido de nível empresarial têm a paridade de todas as memórias do sistema, bem como a correcção de erros de todas as memórias, incluindo a memória de dados e controlo usada nos processadores. Assim, se a memória do processador sofrer um erro menor, é possível recuperar e evitar qualquer perda de informações”, sustenta.
Além disso, segundo este responsável, as drives SSDs variam muito em termos de qualidade e é necessário estabelecer métricas que permitam determinar o desempenho e a longevidade dos SSDs. "Estas drives não contam ainda com métricas claras e o seu comportamento difere um pouco daquilo que é costume vermos nas drives de discos rígidos tradicionais".
Mason afirma que uma drive SSD isolada pode até contar com funcionalidades de medição de desempenho, mas uma vez instaladas em bloco torna-se mais difícil monitorizar a performance de todas as drives.

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