Fazer mais com menos nos centros de dados

23 de Janeiro de 2009 às 12:22:00 por João Nóbrega

Quase todos os responsáveis por centros de dados têm, hoje, apenas uma coisa em mente: fazer o mais possível com cada vez menos recursos, afirma o relatório anual da Symantec, "State of the Data Center ".

Os gestores de centros de dados estão a ser confrontados com a necessidade de reduzir custos, ao mesmo tempo que devem manter os níveis de serviço, desafio a que estão a responder com uma série de iniciativas que vão desde a virtualização de servidores à automatização de tarefas, passando pela partilha de profissionais de outros departamentos. È a principal ideia do relatório anual da Symantec, "State of the Data Center ". 
Algumas companhias estão a adaptar os seus orçamentos às necessidades de operação dos centros de dados, mas dificilmente conseguirão ter disponíveis as verbas ideias para o volume de trabalho que se espera que um centro de dados processe, afirma a Symantec no seu relatório, realizado com base em entrevistas a gestores, directores e vice-presidentes de 644 empresas dos Estados Unidos, Canadá, Brasil e México. As companhias inquiridas têm entre 5000 a mais de 50000 empregados, sendo que em média contam com 500 profissionais de TI e entre 30 e 49 centros de dados.
"As expectativas face ao que os centros de dados podem fazer estão a subir mais rapidamente que os orçamentos. É certo que alguns orçamentos estão em processo de crescimento, o que não deixa de ser interessante, mas na verdade não estão a subir o suficiente", sustenta Marty Ward, director de marketing de produto da Symantec.
Metade das companhias inquiridas diz prever um aumento nos fundos disponíveis dentro dos próximos 12 meses, enquanto 34% dizem que os seus orçamentos se manterão inalteráveis e 16% esperam mesmo decréscimos. Mas, com a recessão a agravar-se, a Symantec acredita que a realidade poderá ser ainda pior do que as previsões dos inquiridos.
A maioria das subidas registadas nos orçamentos das empresas está a ser absorvida por custos relacionados com alimentação eléctrica, infra-estrutura e instalações, o que significa que a aplicação de verbas está agora sob um controlo muito mais apertado. Os operadores de data centers afirmam que a sua principal prioridade é reduzir custos, passando para segundo plano a missão de melhorar a capacidade de resposta, os níveis de serviço e a disponibilidade.
O inquérito encomendado pela Symantec foi conduzido por telefone no final de Setembro e princípios de Outubro pela Applied Research-West, uma empresa de estudos de mercado.
"A lista de tarefas a desempenhar dos responsáveis de TI é agora maior do que nunca. As aplicações continuam a crescer em número e complexidade, Os servidores continuam a ser subaproveitados. O armazenamento continua a crescer mas é, também ele, subaproveitado. E os planos de disaster-recovery – mais importantes do que nunca – não estão ainda a ser aplicados na prática", diz a Symantec.
Três em cada quatro companhias afirmam que as expectativas dos utilizadores estão a crescer rapidamente, sendo que apenas 2% das empresas acredita que estas expectativas estão a baixar. Seis em cada 10 empresas dizem que é cada vez mais difícil responder aos níveis de serviço exigidos pelas organizações, em parte devido ao facto de a grande maioria das equipas de TI não terem pessoal suficiente ou não conseguirem contratar pessoas qualificadas para as vagas que têm em aberto.
E, na opinião da Symantec, ter data centers distribuídos piora ainda mais a situação. "Dois terços das companhias acreditam que cada localização de data center necessita da sua própria equipa de pessoal altamente qualificado. Apenas uma em cada 10 empresas inquiridas afirma, por isso, que está a tornar-se mais fácil acompanhar as exigências das organizações em termos de níveis de serviço.
E a crise de pessoal está a ser combatida principalmente através de duas medidas: outsourcing e formação. Perto de metade das companhias estão a recorrer ao outsourcing para ver realizada pelo menos uma parte das tarefas dos seus data centers, por forma a poupar dinheiro e dar a possibilidade aos seus próprios empregados de se focalizarem noutras prioridades. A formação, por seu turno, está a assumir um papel cada vez mais importante para as organizações, com 78% dos inquiridos a afirmar que os seus orçamentos dedicados à formação irão subir ou pelo menos manter-se iguais ao longo dos próximos dois anos.

A crise económica está já a forçar muitas empresas a instituir políticas de congelamento de despedimentos na área das TI, o que, por seu lado, está a obrigar os profissionais das tecnologias a assumir tarefas que vão para além das suas funções.
As iniciativas no campo da virtualização estão a produzir reduções de custos para as empresas, com as taxas de utilização média dos servidores agora nos 53%, afirma o relatório da Symantec. “Estes números representam uma forte melhoria, já que, há apenas cinco anos atrás, essa utilização era de apenas 20%. No entanto, a generalidade dos servidores continua a ser subaproveitada", afirma Ward.

 

36% das empresas reconhecem necessidade de melhorar

 

A Symantec também analisou o estado dos planos de disaster-recovery das empresas, tendo achado boas e más notícias. Perto de dois terços das empresas reportam que têm planos de recuperação de desastres para os seus centros de dados de qualidade mediana, boa ou excelente, enquanto os restantes 36% admitem que os seus planos nesta área precisam de melhoramentos. Ward acredita que estes últimos representam a maior parte dos casos, na medida que o estudo apenas se centrou em companhias com pelos menos 5000 empregados.

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