Estudo revela que a banda larga tem ainda muitos problemas por resolver

17 de Dezembro de 2008 às 19:29:57 por João Nóbrega

A consultora Nemertes Research continua a traçar um futuro preocupante à Internet, ao revelar esta semana um estudo de mercado segundo o qual a largura de banda Web deverá ultrapassar a sua capacidade em 2012.

O estudo, que vem no seguimento de um semelhante realizado no ano passado pela Nemertes, projecta que a actual recessão económica mundial só vai atrasar – mas não eliminar – o aumento da procura de banda larga que a consultora já havia previsto. Já nesse primeiro estudo, a Nemertes previa que o crescimento do tráfego iria suplantar por completo a procura até 2010, mas a empresa ajusta agora as suas previsões tendo em conta o clima de recessão económica que se vive globalmente.
A consultora sublinha que, neste estudo agora realizado, não está a prever o fim da Internet, mas antes a antecipar um abrandamento no seu funcionamento, ao ponto de o utilizador típico poder vir a sentir que as aplicações mais consumidoras de banda larga, como streaming de vídeo e partilha de ficheiros, não respondem como antes.
Durante uma apresentação num simpósio da Internet Innovation Alliance esta semana, o analista da Nemertes Jude Mike afirmou que, como consequência da diminuição no desempenho da Web, as pessoas deixarão de a ver como meio preferencial para obterem as aplicações de que necessitam. "Cada vez mais aplicações são disponibilizadas online, o que faz com que cresçam constantemente as expectativas por uma qualidade de serviço cada vez maior ", afirmou. "Não estou a dizer que a Internet vai acabar em 2011, mas que as expectativas dos utilizadores vão ser completamente defraudadas. As pessoas vão deixar de ir à Internet para obterem os mesmos serviços que agora tanto procuram."
Uma das principais razões para o crescimento previsto no tráfego é o aparecimento constante de novos profissionais virtuais, que trabalham a partir de casa ou de escritórios remotos, sustenta a Nemertes. E estes profissionais remotos "esperam usufruir de comunicações sem falhas, independentemente do local onde se encontram a trabalhar", sendo que "muitas vezes necessitam de ferramentas de colaboração e comunicação mais avançadas do que aqueles que trabalham na sede das companhias," incluindo vídeo-conferência e Web conferencing, diz o relatório.

 

Mais aplicações pesadas

 

Outro factor é também o forte crescimento nas aplicações mais consumidoras de banda larga. Cada vez mais ISP irão, nos próximos anos, seguir o exemplo de empresas como a AT & T e a Comcast e oferecerem pacotes especiais de banda larga aos consumidores mais exigentes, cobrando para tal taxas adicionais, prevê a Nemertes. Embora a Comcast já ofereça hoje uma largura de banda para consumo individual relativamente alta de 250GB por mês, os futuros utilizadores irão facilmente atingir ou ultrapassar este limite de banda à medida que recorrem a aplicações cada vez mais exigentes, sustenta a consultora.
"Embora este tipo de tráfego [250GB mensais] seja um pouco superior ao consumo típico, não é no entanto excepcional", diz a Nemertes. "Este tipo de consumo passará a ser típico nos próximos três a cinco anos. O facto de a rede da Comcast não conseguir, pela sua própria admissão, lidar com tais hábitos de consumo é uma clara indicação de que os problemas que previmos no ano passado estão a começar a ocorrer. "
Olhando para o futuro, a Nemertes diz que, se ninguém tentar responder a esta questão, a Internet tornar-se-á um sistema fracturado onde as empresas com maior capacidade financeira pagarão mais dinheiro por uma infra-estrutura de rede especializada, que assegure as suas necessidades de banda larga, em detrimento dos utilizadores mais desfavorecidos.
Este sistema fracturado – em que determinadas entidades podem pagar dinheiro extra para obter um tratamento preferencial – é o que os defensores da neutralidade da rede sempre procuraram evitar, impedindo os ISPs de praticarem descriminação de conteúdos. O relatório da Nemertes conclui que, embora o fim da Internet não esteja à vista, irá seguramente enfrentar um abrandamento acentuado em termos de inovação, uma vez que os "novos fornecedores de conteúdos e aplicações vão começar a ser prejudicados pelo desempenho relativamente mais pobre da web."

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