TIC podem contribuir para reduzir em 15% as emissões de CO2 em Portugal

11 de Novembro de 2008 às 17:50:22 por João Nóbrega

Apesar de serem responsáveis por 1,5% das emissões de carbono no território nacional, as tecnologias de informação e comunicações (TIC) podem contribuir para reduzir 15% das emissões de gases com efeitos de estufa de outros sectores de actividades em, Portugal. Esta é uma das principais conclusões do estudo Smart Portugal 2020 encomendado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) e divulgada no decorrer do 18º Congresso das Comunicações.

Ainda de acordo com o estudo, as emissões do sector das TIC no território nacional deverão registar um crescimento de 0,7% ao ano no período que decorre entre 2007 e 2020. Mas, na opinião de Jorge Vasconcelos, presidente da Mesa do 18º Congresso das Comunicações e Coordenador do grupo de trabalho de TIC e Energia da APDC, a conclusão mais importante deste estudo é a de que estas tecnologias poderão, num cenário conservador, permitir a redução de 15% das emissões de carbono de outros sectores de actividade e, deste modo, contribuir para que Portugal “alcance os objectivos estabelecidos pela Comissão Europeia para 2012”.
Recorde-se que os objectivos da instituição liderada por Durão Barroso estabelecem um limite de 75,1 milhões de toneladas de CO2, enquanto que, presentemente, as emissões no território nacional totalizam 82,7 milhões de toneladas de CO2, das quais cerca de um milhão de toneladas são da responsabilidade das tecnologias de informação.
Neste contexto, o estudo Smart Portugal 2020 identificou três áreas – transportes, gestão energética e eficiência energética dos edifícios –, que, em conjunto, representam 55% das emissões de carbono no território nacional, e em que a utilização das TIC poderá contribuir decisivamente para as reduções previstas.
Assim, e de acordo com as conclusões do estudo encomendado pela APDC, na área dos transportes, as TIC podem contribuir para a criação de sistemas gestão da mobilidade urbana que podem monitorizar as emissões e ajustar as taxas automóveis em função dessas emissões e que poderão, em conjunto com o controlo dinâmico das entradas nas cidades, o estacionamento dinâmico ou a coordenação de semáforos, reduzir significativamente as emissões urbanas. Por outro lado, na área da gestão energética, as TIC poderão contribuir para a monitorização e controlo do consumo na rede eléctrica, assim como contribuir para a redução do consumo de energia. Por último, e ainda segundo as conclusões do estudo Smart Portugal 2020, as TIC poderão ainda ter impacto na eficiência energética dos edifícios, através da optimização da utilização da energia nos diferentes equipamentos (iluminação, aquecimento, ventilação e ar condicionado).
Em conjunto, estas áreas serão responsáveis por poupanças superiores a 2,2 mil milhões de euros por ano, das quais os transportes serão responsáveis por reduções de 477 milhões de euros, a gestão energética será responsável por mais de 308 milhões de euros e a eficiência energética dos edifícios será responsável por mais de 410 milhões de euros.

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