Com uma oferta assente em sistemas abertos, a HP “ataca” o mercado de mainframes, propondo a sua substituição para reduzir custos. A HP “entrou” no mercado de mainframes com o programa HP Mainframe Alternative. Este programa procura constituir uma alternativa viável para empresas que pretendam migrar de sistemas mainframe para sistemas abertos, de vários fabricantes, obtendo com essa migração uma redução nos TCO (Total Cost of Ownership).
Com esta “investida” num mercado dominado pela IBM, a HP espera posicionar-se como uma alternativa aos mainframes convencionais. Na opinião de Ruud Vrolijk, vice-presidente para sistemas críticos de negócio da HP EMEA, este mercado constitui “uma grande oportunidade”: “representa cerca de 50% dos lucros da IBM, sendo central para a sua estratégia de hardware, software e serviços, e é precisamente aí que a HP quer ser competitiva”. Por outro lado, segundo o responsável, as empresas procuram hoje modernizar os seus sistemas, enquanto reduzem os seus custos.
Nos sistemas mainframe convencionais, a grande parte dos custos reside no software e na sua actualização. Para além disso, a maioria do software produzido pertence a produtores de software independente, não sendo compatível com os sistemas mainframe. Esta característica destes sistemas, na opinião de Ruud Vrolijk, limita a capacidade de os utilizadores acederem às mais modernas propostas de software. Por outro lado, a quantidade de técnicos com conhecimentos de mainframe começa a entrar em declínio, o que se traduz num factor de risco acrescido para um sistema que já de si é bastante dispendioso, apesar de robusto e eficaz, de acordo com o executivo.
PSP com migração de mainframe em curso
N PSP (Polícia de Segurança Pública) decorre um dos actuais processos de migração de um sistema mainframe da IBM para um sistema HP Integrity, baseado em Windows. De acordo com Maria Eduarda Lopes, directora de TI da PSP, “o desafio que se colocava à PSP era a redução de custos na plataforma tecnológica. Com a plataforma aberta, os TCO baixam consideravelmente, o tempo de manutenção é também reduzido, e fica garantida uma elevada flexibilidade”.
Oferta completa para migração
A HP já tem cerca de 250 projectos relacionados com a migração de ambientes mainframe para plataformas abertas de múltiplos fabricantes. Nesta oferta, o fabricante inclui toda a componente tecnológica – servidores e sistemas de armazenamento, software de gestão de TI e serviços, ferramentas e metodologias para o processo de migração. E inclui ainda, como opção para os seus clientes, outsourcing e gestão das plataformas migradas e suporte crítico. A abordagem da HP na migração de mainframes baseia-se em premissas abertas, multi-fabricante, assente em padrões da indústria e sistemas abertos, para que os clientes possam efectivamente reduzir custos sem ficarem “bloqueados” na actualização de aplicações ou integração de programas novos.
O ciclo de vida de um projecto de migração – que se estende, normalmente, entre os sete meses e um ano e meio – divide-se em quatro fases distintas. A primeira fase consiste em análise e desenho, e nela tem lugar a avaliação dos sistemas implementados, e a conceptualização das novas arquitecturas, com a definição de um plano detalhado para a migração. Esta fase dura sensivelmente dois meses. Na segunda fase, de implementação e migração, decorre a migração de código e de dados, a configuração das ferramentas e dos mecanismos automáticos, e a implementação do novo sistema. Todos estes processos nunca demoram menos de quatro meses a executar. A terceira fase dura cerca de cinco meses e é constituída essencialmente por testes ao sistema: às unidades, à integração, ao desempenho e à disponibilidade. Por fim, resta a fase de lançamento, onde decorre a migração de objectos modificados e são executados os testes finais. É preocupação da HP tornar a migração tão lógica quanto possível, assegurando por um lado a continuidade do negócio, e por outro, a experiência de utilização dos clientes, procurando que o impacto no negócio seja mínimo. Para isso, a HP recorre a ferramentas automatizadas, à manutenção do código utilizado, a uma política de não alterar as ferramentas utilizadas pelos clientes e a todo um processo de migração e de formação progressivo. As linguagens utilizadas são mantidas sempre que isso seja possível.
Apesar de a oferta de migração de mainframes ter uma série de componentes comuns, ela procura adaptar-se às especificidades dos sistemas próprios de cada utilizador. Conforme explica Isidoro Paredes, gestor do centro de migração de mainframes EMEA, “cada cliente é diferente; como tal, a solução não pode ser única e imutável”.
Migração viável em tempos de crise?
Um dos objectivos deste programa da HP é ajudar os clientes a reduzirem custos – o que explica o recurso a uma plataforma aberta, enquanto alternativa às mainframes proprietárias. No entanto, uma migração desta natureza requer um investimento considerável da parte das empresas, que irá coexistir com um período de manutenção da mainframe. Dito de outra forma: mais custos. Isidoro Paredes reconhece esse problema, sobretudo numa época marcada pelas restrições orçamentais, e pela crise económica, mas não considera que isso possa afectar negativamente a “entrada” da HP nesta área. “É verdade que com a crise, os orçamentos são ainda mais restritos; mas também por causa da crise, as empresas têm ainda mais necessidade de começarem a reduzir os seus custos”, esclarece o gestor. “A proposta da HP, apesar dos custos iniciais consideráveis, consegue reduzir os TCO e os custos operacionais de um sistema significativamente ao longo de um período de três ou quatro anos”, afirma.










