Atom irá incluir processador gráfico

28 de Outubro de 2008 às 20:53:38 por João Nóbrega

À imagem da sua rival AMD, a Intel irá disponibilizar um processador Atom com capacidades de processamento gráfico integradas. O anúncio foi feito no Intel Developer Fórum, que decorreu em Taipé. A Intel tenciona combinar funcionalidades gráficas nos seus processadores. O projecto, intitulado Pineview, consistirá num núcleo Atom integrado com um dispositivo gráfico, e deverá estar disponível durante o próximo ano.

Esta ideia de integrar processamento e gráficos não é nova – a AMD prepara-se para lançar o primeiro processador da gama Fusion, que se baseia naquele conceito. E há também o “system-on-chip” (SOC) da Lincroft, no qual irá assentar a plataforma Moorestown, da Intel, para dispositivos móveis de Internet. O processador Atom que será utilizado no Pineview será praticamente idêntico aos actuais chips Atom, com apenas alguns refinamentos com vista a reduzir ainda mais o seu consumo de energia a serem introduzidos pelo fabricante. “ [A Intel] já conhece o ambiente SOC, e por isso conseguiu obter uma ainda maior eficiência energética em subsistemas dentro do SOC, como os gráficos”, disse Belliappa Kuttana, arquitecto da Atom na Intel.
O processador inclui ainda um controlador de memória integrado com ligações directas para a memória principal, a fim de melhorar o desempenho do sistema, e deverá conter um descodificador de hardware para vídeo de alta definição.
De fora não fica também a possibilidade de alargar estas funcionalidades gráficas integradas a outras gamas de processadores – a Intel já revelou ter planos para o fazer em alguns modelos da gama Nehalem. As primeiras versões dos processadores Nehalem estarão disponíveis durante o próximo mês, mas ainda não irão incluir funcionalidades gráficas.
O fabricante não avançou detalhes sobre a tecnologia gráfica utilizada no Pineview, deixando apenas claro que não será o mesmo processador gráfico integrado utilizado no chipset G45 Express, o Intel Graphics Media Accelerator X4500HD. Também não foi revelada muita informação acerca do tamanho do processador – os actuais chipsets Atom são muito pequenos, mas com a integração de um controlador de memória e de um processador gráfico o seu tamanho terá necessariamente de aumentar.
O Atom é, porém, considerado fraco no seu desempenho gráfico e de vídeo – aliás, os gráficos nunca foram um ponto forte da Intel, sobretudo em comparação com a tecnologia de ponta da ATI, a divisão gráfica da rival AMD. Ainda assim, este anúncio deverá aumentar a pressão sobre a AMD, que tenciona revelar o seu novo roteiro de produtos para portáteis de baixo custo a 13 de Novembro.

Moorestown com suporte a redes celulares

No Intel Developer Fórum a Intel mostrou também um vídeo dos primeiros chips Moorestown, que deverão estar no mercado em 2009 ou 2010. E revelou que a plataforma irá incluir uma opção de suporte para redes celulares WiMax ou HSPA (High Speed Packet Access). A Intel tem vindo a apoiar bastante o desenvolvimento da tecnologia WiMax, considerando-a como a melhor opção para futuros serviços de banda larga. Mas a sua disponibilidade e a sua cobertura são ainda muito limitadas, e com o suporte do Moorestown a HSPA a Intel fornece aos utilizadores uma alternativa para se ligarem a redes sem fios fora do raio de acção de hotspots Wi-Fi.
Outra novidade saída do IDF está relacionada com a gama de chips Nehalem. As primeiras versões desta gama estarão disponíveis ainda neste ano, e espera-se já que na segunda metade de 2009 arranque a produção da sua versão móvel, com o nome de código de “Clarksfield”.

Página Web para suporte pode atrair fabricantes

 

A Intel espera convencer mais fabricantes a utilizare3m os seus microprocessadores através de uma nova página Web, a ser lançada no início de 2009, preparada para programadores. A página deverá conter ferramentas que permitam a um programador avaliar que chip Intel mais se adequa a uma aplicação particular, esquemas de referência e fóruns de discussão, nos quais os próprios engenheiros da Intel poderão dar sugestões e suporte. A Intel espera que este projecto venha a ser mais do que um mero repositório de documentos, e tem por objectivo ajudar os seus clientes a escolherem os produtos mais adequados.

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