Estudo revela carências de profissionais de TI

29 de Janeiro de 2008 às 19:08:54 por João Nóbrega

Um estudo promovido pela ANETIE organização reflecte as necessidades mais relevantes, em termos de competências de técnicos recém-formados, apontadas pelas empresas de TI do país. Faltam, sobretudo, aptidões não técnicas. 

 

A Associação Nacional das Empresas das Tecnologias da Informação e Electrónica (ANETIE) realizou um inquérito aos seus associados para determinar as carências de formação dos novos profissionais de TI. Do estudo resultou um quadro em se destaca, nos profissionais, a falta de competências não técnicas: a “Gestão por Objectivos”, a “Gestão de Equipas e Liderança”, a “Comunicação Escrita” e a “Comunicação Presencial”. O inquérito permitiu ainda, segundo a associação, averiguar o grau de gravidade das lacunas de formação em cada uma das competências inventariadas.
Outra das conclusões mais importantes do estudo destaca existência de uma grande carência de profissionais bem qualificados para as carreiras comerciais de TI, de marketing ou responsáveis de vendas.  O responsável que dirigiu o estudo, Fernando Fernandez, MoreData, considerou ser importante desmistificar e valorizar as carreiras comerciais.
As respostas ao inquérito sugerem, na óptica da organização, que as empresas atribuíram às competências de “Normalização de Processos”, um grau elevado de importância. Esse dado, leva os autores do estudo a concluírem que as empresas estão a procurar seguir as de tendências de padronização promovidas pela indústria.
A averiguação das competências que faltam aos referidos profissionais de TI foi feita considerando três perfis profissionais: engenheiros de software, engenheiro de sistemas, e comercial. A ANETIE considerou como particularmente preocupante que aos engenheiros de software tivessem sido apontadas falhas nas competências de desenvolvimento de interfaces e na produção de informação.
O conjunto das competências técnicas a melhorar é liderado pela área da normalização e processos, seguida da segurança, e do conhecimento sobre as arquitecturas e sistemas distribuídos.
Face aos resultados do estudo, e no espírito do “Road-Map para a Competitividade do Sector das TIC” (apresentado ao Governo pela organização), a ANETIE faz algumas propostas de medidas a implementar. A lista dirige-se tanto ao meio empresarial como às instituições de ensino superior, secundário e básico, e sem esquecer o profissional. A associação lembra a obrigação das empresas de TI, de apoiarem melhor o sistema de ensino através de, por exemplo, ferramentas de feedback que avaliem e aperfeiçoem os métodos de formação, por exemplo. O estudo considera importante também a realização, de um maior número de seminários empresariais, nas universidades, além da criação de estágios vinculativos em organizações, desde o primeiro ano do curso.

 

Salários inflacionaram 15 a 20% 

 

Na sequência das recomendações, o presidente da ANETIE, Rui Melo, anunciou que será instituído um prémio – Fórmula Profissional TIC 2008 – para agraciar as instituições que melhor seguirem as recomendações da associação. O responsável admite que as medidas  poderão demorar um a dois a surtirem efeito, mas define o prémio também como um estímulo para as organizações de ensino mudarem os currículos dos cursos. Além disso, considera que em três semestres bastarão para as medidas de acção sobre as competências não técnicas terem impacto.
De acordo com o responsável, face à escassez de profissionais de TI as medidas assumem bastante importância, nomeadamente para o mercado de recursos humanos poder suportar as necessidades das empresas de serviços de outsourcing de proximidade. “Em dois anos, os salários registaram uma inflação de 15% a 20%”, disse Rui Melo. O mesmo revelou que, em média, as empresas de TI demoram nove a doze meses em processos de formação a preparar os técnicos para as funções que vão desempenhar.” Antes Fernando Fernandez, afirmou que muitos dos técnicos recém-formados não têm conhecimento sobre o mercado de TI, nem sobre as soluções disponibilizadas pelo sector.

 

Metodologia do inquérito

A ANETIE explica que o inquérito às empresas associadas decorreu durante os meses de Agosto e Setembro de 2007. Os inquiridos deveriam pontuar, entre 0 e 2 pontos, a necessidade de melhoria da formação. Isto é: se considerassem importante reforçar a formação numa determinada competência deveriam atribuir-lhe pontuação 2. Caso contrário, deveriam escolher pontuação 1 ou mesmo 0.

Para maior precisão do resultado, o inquérito referia-se a três carreiras típicas (ou grupos de carreiras: o engenheiro de software (que trabalha na produção de sistemas de informação), o engenheiro de sistemas (disponibilização de infra-estruturas, sejam elas de hardware, software ou comunicações) e o consultor comercial, que trabalha no marketing ou vendas.

As competências que obtiveram pontuações baixas foram eliminadas, na medida em que tal significa que os associados da ANETIE não consideram que o seu ensino apresente falhas significativas.

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