IPv6 cada vez mais urgente nos Estados Unidos

4 de Julho de 2007 às 15:41:27 por João Nóbrega

Se há trés anos alguém tivesse perguntado a John Curran, líder do American Registry of Internet Numbers (ARIN), qual seria a data na qual os endereços de IP em IPv4 se esgotariam, ele teria respondido 2025. Há dois anos, a mesma pergunta teria como resposta 2017. Recentemente, Curran colocou a data limite em 2011.

Esta nova data, que Curran assumiu na Burton’s Group Catalyst Conference, baseia-se no crescimento cada vez mais rápido da alocação de blocos de endereços. Curran afirmou que cerca de 68% do total de endereços de IP disponíveis com o IPv4 estão já distribuídos, e que dos restantes, apenas 19% estão ainda por alocar. Os 13% que sobram, ainda que não estejam a ser utilizados, estão já distribuídos a grandes empresas, universidades ou ISP.


 


A ARIN e outras agências estão a encorajar os proprietários destes endereços para os tornarem disponíveis novamente, e mencionou a Universidade de Stanford como uma organização que já o fez. No entanto, este tipo de agências apenas pode pedir às instituições que o façam, visto não terem qualquer poder para recuperar esses endereços por utilizar.


 


Curran afirmou que em 2010, agências como a Arin irão ficar sem endereços para distribuir. Os ISP ainda terão endereços suficientes para responder à procura dos consumidores durante um ano, mas em 2011 até os ISP irão esgotar a sua capacidade. O que significa que a menos que os ISP e as empresas comecem a mover-se na direcção do IPv6, será impossível aos prestadores de acesso à Internet registarem novos utilizadores; paralelamente, as empresas não conseguirão construir novas redes.


 


Para Curran, a situação actual já tem contornos de crise, e considera “inevitável” que as empresas e os ISP comecem de agora em diante a fazer as configurações necessárias para o IPv6. Ainda que esta mudança seja consideravelmente dispendiosa, Curran argumenta que os ISP têm um forte incentivo financeiro para realizar tal investimento. “Todo o seu modelo de negócio, afinal, depende de conseguir registar novos utilizadores”.


 


Quanto às empresas, o líder da ARIN considera que será necessário, numa primeira instância, actualizar os seus servidores Web e de e-mail para o IPv6, a fim de que os seus clientes e parceiros de negócio que já estejam a trabalhar em IPv6 possam manter comunicações normais. “Há quem esteja já a tentar aceder a servidores Web por Ipv6. Se as empresas não mudarem, irá chegar um ponto em que os clientes não conseguirão chegar a ela”, afirmou. No entanto, não vê qualquer problema a uma manutenção do IPv4 internamente ainda durante algum tempo.


 


Mas todos terão de se mover no sentido do IPv6 num prazo de três anos. Segundo Curran, os aparelhos de redes já permitem o Ipv6, pelo que não haverá nenhum grande investimento em equipamento. A grande tarefa será mesmo todo o trabalho de configuração que a mudança exige.

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