“A tecnologia da IronPort está mais associada à segurança da informação do que à de comunicações”

21 de Fevereiro de 2007 às 23:05:37 por João Nóbrega

Como director para as actividades de desenvolvimento de tecnologia da Cisco, Charles Giancarlo supervisiona a investigação e desenvolvimento da empresa.

Com a expansão para novos mercados e tecnologias, como o mercado da electrónica de consumo e o vídeo –  o tipo de engenheiros que o executivo gere na Cisco diversificou-se e vai além dos investigadores de routers , dos switches, de ASIC e programadores de software de rede.
Em entrevista o responsável fala da experiência de gerir as várias actividades de investigação. Pelo meio, explica algumas tecnologias que o fabricante deverá lançar durante o corrente ano. E como vai beneficiar da Ironport.


 


Computerworld –  A Cisco diz que 45% do seus negócio é relativo ao sector das grandes empresas, 25% está ligado aos ISP, mais um quarto a refere-se ao negócio com empresas mais pequenas. A fatia da electrónica de consumo não excede os 5%. Como é distribuída a despesa de investigação e desenvolvimento, por estas áreas? Reflecte a percentagem de receitas produzidas pelos vários segmentos?


 


 


Charles Giancarlo – É diferente. O modelo de negócio em cada um dos segmentos é bastante diferente. Temos a tendência para gastar, conforme as receitas, mais na área dos ISP, e depois na de grandes empresas e depois nas empresas mais pequenas, e depois no mercado de consumo.


 


Mesmo que os ISP não constituam um negócio tão grande para nós como o das grandes empresas, a natureza do negócio do ISP, exige maior esforço de investigação e desenvolvimento. Não obstante, gastarmos provavelmente menos em vendas para os ISP. Portanto há uma espécie de compromisso. Os ISP são clientes maiores, e exigem menos pessoal de vendas, mas por outro lado, exigem maior trabalho de investigação e desenvolvimento.


 


A complexidade do produtos e a natureza da concorrência são as principais razões para isto. No caso dos grandes ISP, eles estão à espera de ambientes muito costumizados. Se comparar o investimento de um ISP, com o investimento de uma empresa tradicional, o ISP despenderá mais em investigação e desenvolvimento e menos em vendas do que uma grande empresa industrial. É claro que somos uma mescla de todas essas empresas.



 


Computerworld  – À medida que a Cisco avança para o mercado de consumo, como é que isso está a afectar as estratégias de investigação e desenvolvimento e as restantes actividades?


 


Charles Giancarlo – Estamos  a conjugar o que soubemos de analistas do negócio de consumo com aquilo que a Cisco faz bem. Diria que em geral, a Cisco é uma organização muito forte em investigação e desenvolvimento. Sempre foi e somos respeitados por isso. Obviamente que as coisas às quais se presta mais atenção são diferentes. Estamos a trazer qualquer tecnologia que tenhamos noutros segmentos de mercado, para o mercado de consumo, desde que seja útil.



 


Computerworld – Em que áreas a  Cisco precisa de evoluir em termos de conhecimento, para ter sucesso no mercado de consumo?


 


Charles Giancarlo – Temos de perceber a importância de estabelecer uma marca, assim como uma presença no mercado. Em termos de tecnologia, temos de evoluir em aspectos como a facilidade de utilização, as interfaces de utilizador, e todos os aspectos que tendem a ser menos importantes nos outros negócios. Os utilizadores do mercado de consumo não são especialistas, mas por outro lado, querem qualquer coisa que seja fácil de usar e divertida.


 


Computerworld – Que exemplo pode dar de uma tecnologia que a Cisco tenha usado ao alongo de vários segmentos de negócio?


 


Charles Giancarlo – A Voz sobre IP, por exemplo. Usamo-la no segmento das grandes companhias, mas também no segmento das grandes empresas, dos ISP e dos consumidores. Mas os compromissos em cada grupo são muito diferentes: a facilidade de utilização versus funcionalidade, versus capacidade de expansão, versus custo. Isto leva a algumas discussões muito interessantes, não só entre as equipas de desenvolvimento, mas também à medida que interagem com os serviços, com as vendas e o suporte. Por vezes, precisamos de fazer a tradução das ideias e garantir que temos o enfoque mais certo nas áreas mais certas de maneira a produzirmos o dispositivo mais correcto, para o segmento em específico.


 


Computerworld – Que expectativas devem os clientes ter sobre os frutos da compra da IronPort pela Cisco? O processo será igual ao das aquisições na área de tecnologia de segurança, nas quais as tecnologias eram oferecidas integradas num produto único, e mais tarde incorporadas em routers e switches?


 


Charles Giancarlo – Os clientes devem esperar duas coisas. Uma é o que já mencionou, a virtualização da capacidade para além do produto isolado, no núcleo da nossa oferta de routers e switches. Mas a segunda medida que vamos tomar é começar a usar a plataforma da Ironport – de software e hardware – como uma base para capacidades adicionais associadas a segurança da informação. Isso irá muito além da segurança de e-mail, chegando à gestão de conteúdos – o controlo do conteúdo que está a sair e a entrar na empresa.


 


Computerworld – O que a IronPort oferece é muito diferente de outras tecnologias que a Cisco assimilou, ou não?


 


Charles Giancarlo – É muito diferente, de facto. Todas as outras tecnologias que adquirimos no passado, estavam relacionadas com o que se pode segurança das comunicações –  segurança na camada dos pacotes, do acesso, para  uma rede empresarial. A tecnologia da IronPort está associada não tanto à segurança das comunicações, mas sim com a segurança da informação –  garantir a segurança da informação –  que as empresas possuem, ou informação que está a sair ou a entrar na empresa. Estes dois tipos de segurança podem ser ligados. Podemos melhorar a informação incorporada na camada das comunicações para esta oferecer informação adicional, relativamente a como a informação recebida sobre essa camada deve ser manipulada. São complementares, mas também são muito diferentes também.


 


Computerworld – No que se refere à segurança da empresa, que é a situação dos esforços da Cisco na área de NAC? A empresa está onde gostaria  que a empresa estivesse em termos de oferta e adopção por parte de clientes?


 


Charles Giancarlo – A respeito de NAC, diria que a implementação completa de NAC está um pouco aquém do que gostávamos que estivesse por esta altura. Isso deve-se em parte ao facto de que os nossos clientes nos indicaram que não queriam implantar NAC só nas sucursais. Queriam para a área principal da empresa. E para se implementar completamente na área principal, é preciso fazer actualizações completas de switches ao longo de todas as linhas de produtos. E isso levou mais tempo do que esperávamos.


 


Mas estaremos a fazer implantações completas de NAC este ano, certamente. As capacidades básicas de NAC, estarão disponíveis nos nossos produtos de principais de switching este ano, o que nos permitirá fazer implementações nos clientes principais. O suporte para NAC está disponível em alguns switches empilháveis, mas não está completo no Catalyst 4500 baseado em chassis, e só parcialmente disponível no Catalyst 6500. Precisamos portanto de completar isso.

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