A virtualização pode acabar com o formato de PC tradicional e terá impacte relevante no consumo de energia, segundo o CTO da Fujitsu Siemens Computers, Joseph Reger.
Por via do encapsulamento de sistemas operativos e aplicações, num ambiente virtual, que a tecnologia já permite, a virtualização pode acabar com o formato de PC tradicional. A ideia é do CTO da Fujitsu Siemens Computers, Joseph Reger. A virtualização terá um impacto assinável no consumo de energia por parte do hardward, de acordo com o responsável técnico.
As referidas facilidades, de encapsulamento, proporcionadas por tecnologias de virtualização já estão a ser usadas para disponibilizar ambientes de trabalho seguros e que depois podem ser eliminados – seguindo uma política de segurança e privacidade. De acordo com o executivo, encapsulamentos semelhantes estão a ser usados nas sessões de banca online. A aplicação da tecnologia de virtualização pode bastante útil, na prevenção do roubo de identidade. Um problema que o responsável diz estar talvez subavaliado, e por isso pouco falado, na sociedade europeia, em compração com o que se passa nos Estados Unidos.
Na perspectiva de Reger, os ambientes virtuais com múltiplos sistemas operativos, estão já a ganhar especial visibilidade e procura, pela sua utilidade. Por um lado, há as consequências esperadas do acordo entre a Miscrosoft e a Novell, que lançam a probabilidade de Linux e Windows funcionarem, lado a lado. E depois a Apple também já tem o seu ambiente capaz de suportar múltiplos sistemas operativos através da funcionalidade BootCab – permite iniciar o Windows ou no Tiger, instalados na mesma máquina. “Simplesmente nessa situação, não é usado um “hypervisor”, o que não configura um cenário de virtualização”, ressalva Reger.
Nas previsões do CTO da Fujitsu Siemens, dentro de poucos anos será possível comprar drives USB de 30 GB de capacidade. “Com um dispositivo desses será possível transportar a imagem de um ambiente virtual de trabalho connosco, para onde se quiser”. Segundo Reger, já equipas de desenvolvimento a trabalharem no sentido de ser possível alojar o sistema operativo, algumas aplicações e ainda alguns dados nesses dispositivos. O objectivo será permitir trabalhar no mesmo ambiente de trabalho mas noutro dispositivo terminal de computação. Para isto acontecer o que se está “a passar é a separação entre poder de processamento e o estado ou imagem do PC”. Um dos principais impactos que a referida evolução tecnológica pode ter é a abertura do mercado de PC a outras áreas. “Não deverá reduzir o mercado de PC”, defende o CTO.
Beneficiando de tecnologia de virtualização será possível ter as aplicações, como se tem uma imagem de ambiente de PC oficial, para cada empresa. Cada vez que alguém precise de trabalhar usa essa imagem. A gestão dessa imagem será independente do hardware utilizado. Esta aplicação possibilitará uma segurança menos sujeita aos problemas da utilização privada do hardware. “Por um lado, não podemos pedir que os colaboradores usem um PC pessoal para trabalhar, mas ao ter um profissional, as pessoas vão acabar por utilizá-lo para o foro privado”, explica o CTO. Outra ideia do mesmo executivo é a imagem ter um período de vida predeterminado.
Máquinas desperdiçam 30% da energia
Joseph Reger alerta para o facto de as fontes de alimentação desperdiçarem frequentemente perto de 30% da energia, com a qual são alimentados os dispositivos. “Em alguns casos, o desperdício chega aos 50%”, salienta o responsável. Esse será um dos dois principais factores de gasto inútil de energia. O outro, de acordo com o CTO, são os chamados modos de hibernação.
Uma das principais ideias do executivo é a necessidade de a indústria usar uma etiqueta padonizada para caracterizar o consumo energético dos dispositivos “A virtualização vem trazer oportunidades para baixar os custos energéticos”. Pelo menos, segundo um factor de quatro, de acordo com o CTO. Por um lado, é possível optimizar melhor a utilização das infra-estruturas. E conjugada com servidores em formato de “blades”, as poupanças podem ser incrementadas: com o referido hardware podem ser usadas menos fontes de alimentação (mais partilhadas), mantendo um nível de redundância ainda aceitável. Há, na óptica de Reger, três questões a serem referidas na caracterização de um dispositivo em termos de consumo de energia: o nível de consumo, o tipo de dissipação, e o tipo de arrefecimento. Procurando reforçar o alerta para a gravidade do problema, o CTO assinala que em três anos os custos com energia para alimentar determinado conjunto de hardware, pode exceder o preço dos dispositivos.
Existem vários esforços de desenvolvimento a serem feitos no sentido de melhorar o desempenho das fontes de alimentação. Aumentar a corrente alterna para frequência mais altas, também é uma maneira de ter menos perdas. “A Google está a desenvolver as suas próprias fontes de alimentação”, assinala o executivo.
O arrefecimento por líquidos está a voltar. A par de outros fabricantes, a Fujitsu está a apostar no arrefecimento por líquidos em racks fechadas, o que tem como consequência a redução do ruído. Mas não deixa de utilizar tecnologia de dissipação junto dos processadores.










