Bandeira da open source, o Linux vai ganhando a simpatia dos utilizadores e começa a equiparar-se em termos de TCO e esforço de gestão, a tecnologias rivais.
Para adoptarem o Linux como sistema operativo, os utilizadores assinalam sobretudo razões práticas. Nenhuma outra indústria tem testado o sistema operativo como o sector financeiro.
Mas outras empresas privadas depositam a sua confiança e os seus investimentos nesta tecnologia, cujo mundo está a evoluir e a corrigir muitas das falhas e atrasos em relação, a tecnologias mais estabilizadas.
Também o sector público apoquentado com exigências de redução de custos vê no open source e no Linux uma forma de evoluir a sua plataforma. Todos estes tipos de organizações apontam benefícios de preço, de desempenho, de flexibilidade e de fiabilidade.
No sector dos serviços financeiros, a pressão para reduzir custos foi muito forte. As receitas não cresciam. Mas ao mesmo tempo, o volume de encomendas continuava a crescer assim como o volume de tráfego com o boom das transacções electrónicas. O volume de acções transaccionadas era o mesmo mas os custos de transacção estavam a aumentar. Muitas empresas deixaram os sistemas Unix e adoptaram o Linux com hardware de plataformas x86.
O sistema operativo não foi em si o principal factor adopção. O Linux corria sobre uma plataforma comoditizada, e isso era determinante. O lançamento do núcleo 2.4 do sistema operativo deu-lhe maior estabilidade, e permitiu-lhe ganhar a confiança de alguns cépticos…
Hoje, os analistas confirmam que a tecnologia open source colocou o os grandes fabricantes de TI em alerta e obrigou-os a inovar. Steve Balmer, em Lisboa, procurou dar confiança aos clientes para lhe mandarem um e-mail, quando a tentação de adoptarem o Linux os afligisse. Por outro lado, anunciou que a Microsoft iria apostar, como estratégia, em desenvolver a interoperacionalidade da suas tecnologias com o sistema operativo.
Apesar da Sun ser um aliado muito particular, também ela viu-se na necessidade de não parar de afinar estratégias e inovar. O Chief Arquitect da Oracle para o middleware, Ted Farrell, ainda recentemente confessou: se vamos concorrer com uma solução open source, então temos de a fazer melhor.
O universo das soluções open source já se estende por vários níveis. Actualmente, já é possível ter tecnologia open source desde o sistema operativo – Linux – aos servidores aplicacionais – Geronimo, JBoss, e ainda mais além. Há as bases de dados MySQL, PostgreSQL, e muitas outras, e há o middleware. Depois surgem as ferramentas como Eclipse, NetBeans entre outros.
Na construção de aplicações talhadas à medida é possível aceder a varais peças e a diferentes bibliotecas, no open source: umas que fazem persistência de dados, outro para a camada de apresentação, outra para as comunicações de rede, entre outras.
A resposta aos “factos” da Microsoft
Tal como a Microsoft a patrocinou o estudo “Get the facts”, que defendia as vantagens do Windows sobre a adopção do Linux, uma empresa de gestão de Linux e virtualização, a Levanta, patrocinou um estudo da Enterprise Management Applications, cujas conclusões apontam para uma mudança fundamental: a gestão e manutenção de sistemas Linux foi melhorada.
O estudo chama-se “Get the truth about Linux Management”, e diz que a utilização de sofisticadas ferramentas de gestão Linux, permitem uma gestão mais barata, eficiente e rápida. Curiosamente um dos mais importantes contributos é da Microsoft, através de parcerias e do programa Dynamic Systems.
O estudo procurou analisar se a gestão de servidores Linux seria uma barreira significativa a operações de Linux eficientes em termos de custo, observando o estado actual da gestão de ambientes Linux e os custos associados. O principal objectivo não era fazer uma comparação ambientes Windows e Linux. Pretendia-se sobretudo perceber o esforço de gestão de ambientes LInux, principalmente onde eram utilizadas ferramentas de gestão sofisticadas.
É claro que muitas das ferramentas usadas são do universo da open source: YaST (Yet another Setup Tool)da Novell SuSE, o Yellowdog Updater Modified (YUM), o RHN e RPM da Red Hat, e o APT da Debian. Muitas das grandes organizações usam as plataforma da IBM, da CA, e da HP.
Mas há também empresas mais pequenas a usarem ferramentas de fabricantes de nicho como a Nagios ou a Groundwork Monitor para monitorização; a Esalps (para z/VM e Linux no z/Series) para gestão de desempenho; ferramentas da Symantec/Veritas para fazer backup; e o Intrepid M da Levanta ou o Opsware Server Automation System para o provisionamento e gestão de correcções.
Muitas soluções providenciam uma sosfisticada gestão de Linux, através das mesmas ferramentas usadas que gerem o Micrososft Systems Management Server e o Microsoft OPrtaions Manager.
Mas antes de mais, o estudo assinala que muitos adiministradores de Linux despendem menos de cinco minutos de por servidor a fazer a gestão de correcções e que o suporte a múltiplas versões de uma distribuição não tem qualquer impacto perceptível na gestão do Linux.
Outra importante conclusão diz que 88% com Linux e Windows despendem menos esforço a gerir o Linux. Quase todas – 97% – acha que o esforço é o mesmo. Noutra vertente das 200 empresas questionadas na Europa, 79% não teve de investir em consultoria e 63% não teve de gastar dinheiro em formação.
O sumário do estudo refere também que os técnicos conseguem administrar mais servidores do que os administradores de windows, w os servidores conseguem lidar com maiores cargas de trabalho do que os servidores windows. Por isso, a EMA conclui que os servidores Linux são mais produtivos.
Outra das conclusões dos estudo é que as PME não precisam de converter a sua plataforma tecnológica para Linux para conseguir beneficiar das vantagens. A receita passa pelo outsourcing e pelo alojamento em ambientes externos. De acordo com a EMA dos service providers inquiridos a nível mundial, 90% utiliza o Linux e só 59 % usa o Windows.
Mas além disso, o estudo recomenda às PME, soluções de suites de aplicações da Red Hat, SpikeSource, Sage/Net Integration entre outros. Linux also underpins many single-function appliances and blades, so even SMEs can easily rack a new Linux system with minimal effort.
Tal como a EMA admite, o estudo não é exaustivo. E as suas conclusões também não significa que o Linux é a melhor escolha para a implementação de todas as soluções, aplicações, ou até para todas as empresas. EMA lembra que o Windows tem conseguido entrar com solidez no espaço do Unix e pode tornar-se uma verdadeira plataforma empresarial.
Por outro lado, as plataformas Unix ainda gozam de muita estabilidade, são escaláveis e proporcionam uma grande durabilidade das aplicações. E não se pode esquecer o z/OS da IBM, nas grandes empresas.
À espera de 500 pessoas
O IV Encontro Nacional sobre Tecnologia Aberta terá várias novidades. A duração do evento foi alargada para a parte da tarde, assim como a área de exposição, onde estarão o principais intervenienets no mercado. Além disso , haverá este ano um debate com a presença de várias entidades, incluindo a Microsoft e a ANSOL (Associação Nacional para o Software Livre).
Espera-se igualmente a presença do Coordenador do plano tecnológico, o professor Carlos Zorrinho. O director-geral da Sybase, Eduardo Taborda espera receber perto de 500 pessoas. Tal como a Caixa Mágica e a ADETTI, a empresa é um dos patrocinadores do evento.
A Sybase acredita que o Linux pode ser uma alternativa empresarial.”O desafio que se coloca ao país e aos empresários é o de serem cada vez mais eficazes em termos de gestão, o que significa optimizar os processos e recursos disponíveis”, diz Taborda.
De acordo com o responsável além do servidor SGBD, desde 1998 que o Linux é considerado na Sybase uma plataforma, prioritária sempre que há uma nova melhoria de qualquer produto.
A parceria com a IBM é uma das que sustenta esta estratégia, mas os acordos com a Red Hat também são importantes: a empresa é Red Hat Certified Training Center em diversos países., e em Portugal é ainda Business Advanced Partner.
Quase como lema para o evento Eduardo Taborda lança um desafio: “Se a banca que movimenta milhões de euros acredita no Linux, porque não uma pequena ou média empresa?”










