Divergências e continuidade marcam o 15º Congresso das Comunicações

16 de Novembro de 2005 às 12:23:47 por João Nóbrega

Sem grandes novidades em relação a anos anteriores – concorrência, regulação e banda larga dominaram –, foi a polémica ausência da Sonae.com quer constituiu a principal novidades deste 15º Congresso das Comunicações.

O 15º Congresso das Comunicações, organizado anualmente pela APDC (Associação Portuguesa das Comunicações) teve o seu início antes do seu começo efectivo, no dia 8 de Novembro, quando a Sonae.com, um dos principais players do mercado dos novos operadores com a Novis e Optimus, anunciou que não estaria presente, o que aconteceria pela primeira vez depois da liberalização do mercado das comunicações fixas em 1 de Janeiro 2000, na sequência da queixa apresentada em Bruxelas contra o Estado Portugal em Junho deste ano.


 


Esta ausência da Sonae.com mereceu no dia antes da abertura do congresso um comunicado de imprensa da APDC a dar conta da sua “estranheza e estupefacção” pelas “ razões adiantadas pela Sonaecom para a sua ausência no 15º Congresso das Comunicações.


 


Poderia esperar que o desenrolar do evento, até pela novidade de um novo Governo e novos responsáveis das pastas da tutela e de um novo presidente dos CTT, pudesse fazer esquecer a ausência da Sonae.com, mas o evento foi fiel a si mesmo, aliás à semelhança dos últimos anos: concorrido, vivo, interessante, polémico e com algum humor no já habitual “Estado da Nação”, com diagnósticos importantes e sólidos, mas sem grandes consequências ou grandes anúncios.


 


E o novo ministro das Obras Públicas e das Comunicações, Mário Lino, que encerrou o Congresso, também não adiantou nada em relação às questões polémico: concorrência ou a Golden Share na PT e as implicações no mercado, limitando a fazer o discurso habitual dos grandes enquadramentos, das grandes evoluções e dos grandes desafios, importantes, mas pouco ou nada consequentes.


 


Para o ministro, os desafios colocados ao sector das comunicações são de três naturezas: tecnológica (novas cadeias de valor), regulatória (diminuição da regulação e sua substituição pelas regras do mercado), e concorrencial (operadores globais e integração das comunicações com outros sectores de actividade).


 


Ou seja, a questão em torno da regulação ou a ausência/insuficiência dela, da concorrência ou da sua inexistência, ou da banda larga – estamos ou não na média europeia, é ou não cara relativamente à média europeia, – continuaram a marcar os discursos, os debates e as considerações. E o regulador, a ANACOM voltou a não escapar às críticas.


 


 


Concorrência


 


O  mote foi logo dado na sessão de abertura, pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, que manifestou a opinião de que o reforço da concorrência no sector das comunicações, considerando que “é absolutamente indispensável reforçar as condições de concorrência em Portugal”, acrescentando não crer que “seja razoável neste momento o Estado estar a contribuir directamente para a redução de custos das comunicações, a não ser fomentando a concorrência, quer entre operadores de telecomunicações, quer no investimento desses mesmos operadores para levar a banda larga em boas condições de preço a todos os cidadãos portugueses”.


 


Na mesma sessão de abertura, que esteve a cargo de Norberto Fernandes, presidente da APDC, salientou o facto de estarmos a viver num ambiente económico muito difícil. No entanto o sector das telecomunicações e dos correios fogem um pouco a essa visão, dado que se verificou um regresso ao investimento, nomeadamente ao nível das redes e dos serviços.


 


Isto não significa que se devam reduzir as medidas de precaução, mesmo porque o sector encontra-se na fase eminente de disrupção dos modelos de negócio. A actual convergência tecnológica, combinada com a abertura da largura de banda irá preparar o negócio do futuro, baseado no conhecimento”, acrescentou.


 


Por seu lado, Pedro Sampaio Nunes, presidente deste congresso, manifestou a sua preocupação com a inclusão digital e lembrou que “nos encontrarmos perante uma revisão do quadro regulamentar do sector, aliado à evolução da regulação do mercado interno europeu.


 


Só com a criação de um verdadeiro mercado único é que se conseguirá competir com os operadores continentais, existentes na América e na Ásia”. O Presidente do Congresso terminou a sua exposição afirmando que acredita que Portugal tem fortes potencialidades de se destacar ao nível do sector das TIC.


 

Notícias Relacionadas

Insira um comentário, ou crie um trackback no seu próprio site.

Deixe o seu Comentário