Sem surpresas, depois do World Economic Fórum, também o ranking do “The Economist” confirma a queda relativa de Portugal no contexto internacional de preparação para a Economia Digital.
As condições para que Portugal explore com benefício as oportunidades apresentadas pela Internet não tem melhorado em comparação com os nossos principais parceiros económicos e políticos.
Esta é a principal conclusão relativa a Portugal da 6ª edição do Estudo “2005 Readiness Ranking” do “The Economist” em associação com a o Institute for Business Value da IBM, em que os Estados Unidos, Suíça e Eslováquia surgem como os grandes vencedores deste ano e onda Portugal voltou a cair (ver ranking).
Na apresentação pública deste estudo, Luís Ramada Pereira, Client Services Manager, Sector Público da IBM, apontou as orientações que o nosso país deve seguir para responder a este desafio do “e-Readnisess”:
- promover a qualidade e segurança das transacções online; regular os operadores de mercado, fomentando a competição – “Portugal precisa de urgentemente aumentar a penetração da banda larga”, afirmou –;
- avaliar as opções para reduzir o esforço de investimento em tecnologia em pequenas e médias empresas;
- encorajar Empresas e Instituições Académics a ser mais inovadoras; dar suporte financeiro (ex: incentivos fiscais) para startups de inovação tecnológica;
- encorajar standards abertos e políticas que promovam o eBusiness;
- promover a formação em TI e partilha de conhecimento para dar resposta à procura de excelência técnica;
- e promover ainda Programas de transformação internos do Governo e da AP (liderar por exemplo, ver caso da Estónia).
Com efeito, Portugal ocupa em 2005 a vigésima quinta posição no ranking mundial em 65 economias mundiais, tendo caído uma posição face aos dois anos anterior, explicada pela introdução de novos critérios de análise e ajuste do peso relativo nas componentes analisadas.
Foi o caso do categoria conectividade que autonomizou a banda larga, que antes estava incluída num critério mais generalista de ligação à Internet). Em paralelo, o responsável da IBM apontou ainda outra alteração também não terá favorecido Portugal em 2005, que residiu no facto da infra-estrutura social e cultural passar a adicionar a adicionar o critério da inovação, avaliada apenas do ponto de vista do número de patentes registadas por mil habitantes.
Onde Portugal apresenta piores resultados é na categoria infra-estrutura social e cultural, designadamente ao nível da educação avaliada segundo critérios de inovação, competência técnica dos trabalhadores, literacia e empreendedorismo.
Relativamente à área da conectividade, Portugal encontra-se numa boa posição, graças à elevada penetração dos telefones móveis e das taxas de utilização de Internet.
O início da maturidade
Em termos gerais, uma das conclusões deste estudo é que “possivelmente, e pela primeira vez desde a chamada “explosão da bolha internet”, a economia global começa a sentir-se confortável na sua pele digital”.
O responsável da IBM salienta que “verificamos um novo crescimento ao nível dos investimentos em tecnologias de informação e de comunicação (TIC) nos mercados desenvolvidos.
Por outro lado, nos mercados emergentes, a expansão da conectividade – o acesso dos indivíduos e das organizações à comunicação por voz e dados – continua a ascender de forma rápida.
Entretanto, o acesso à internet por banda larga está a atingir a massa crítica em muitos países e começa a ser um elemento catalisador para outros desenvolvimentos no seio da economia digital.
Entre as principais conclusões reveladas pelo ranking deste ano, destaca-se:
a) Europa domina. Os países da Europa Ocidental ocupam sete dos dez primeiros lugares nesta classificativa e os nórdicos detêm quatro dessas posições de topo. A Dinamarca (em 1º lugar), a Suécia (3º), a Finlândia (6º) e a Noruega (9º) mantém-se como as melhores classificadas em áreas-chave da conectividade, que inclui a mobilidade (penetração dos telemóveis) e o uso da internet.
Os dois primeiros países são ainda referências incontornáveis no que respeita à implementação do e-government. O desenvolvimento da banda larga ajudou também a Suíça a conseguir a quarta posição e a Holanda a manter o seu oitavo lugar.
b) O Ressurgimento da América. Os Estados Unidos recuperaram a segunda posição ranking, depois da queda do ano anterior. Os Estados Unidos não só viram a banda larga avançar como mantêm a liderança global na disseminação de servidores de Internet de alta segurança e nos investimentos e gastos feitos na área das TIC.
c) Hong Kong lidera na Ásia-Pacífico. Hong Kong subiu ao 6º lugar do ranking, ultrapassando Singapura, que agora se encontra na 11ª posição e afirma-se como líder do ranking na região Ásia-Pacífico.
Esta liderança de Hong Kong deve-se ao desenvolvimento inovador dos serviços e-business, a um ambiente político e legal positivo e aos avanços nos serviços móveis.
A Coreia do Sul (18ª posição), permanece como o mercado de acesso de banda larga mais desenvolvido do mundo, mas os aperfeiçoamentos introduzidos no nosso modelo revelaram fraquezas na “armadura do e-readiness” do país, como a segurança na internet.
d) Mercados emergentes possuem alguns elementos e-readiness importantes. Todos os componentes da economia digital – infra-estrutura, segurança, transparência, inovação e competências – devem ser devidamente interligados de modo a assegurar o nível de “e-readiness” adequado.
Todavia, este continua em défice na grande maioria dos mercados emergentes, sendo que alguns se encontram bem classificados, ou perto disso, em áreas seleccionadas.
Os melhores exemplos são a Estónia (26º), a Eslovénia (27º) e a República Checa (29º) que surgem com um forte desenvolvimento em serviços de e-government.
A Índia (49º) e a China (54º) permenecem nos lugares mais baixos da tabela e-readiness, mas estão a esforçar-se para contribuir para a economia digital global, principalmente com a aposta nas TIC através das fortes competências (Índia) e no extraordinário processo de fabrico (China).
Nas conclusões gerais, o estudo aponta ainda para uma intensificação de esforços generalizada dos investimentos nesta área e uma melhor articulação entre governos e iniciativa privada.
Principais conclusões
A Dinamarca ocupa a primeira posição pelo segundo ano consecutivo entre 65 países, resistindo à aproximação dos EUA;
A Suíça, a Eslováquia e os EUA (recuperou quatro lugares para a 2ª posição) registam as maiores subidas da tabela em relação ao ranking de 2004, enquanto o Reino Unido caiu da 2ª para a 5ª posição;
Hong Kong ascende à 6ª posição e assume a liderança entre os “Tigres Digitais” na região da Ásia-Pacífico;
A Jamaica é, pela primeira vez, contemplada no estudo;
Modelo de avaliação reforça a importância da banda larga conduzindo a um aumento significativo do resultado dos 20 países melhor posicionados;
Os países em desenvolvimento estão em retrocesso devido ao défice em infra-estruturas, embora muitos estejam a realizar progressos;










