A relação entre a tecnologia e a escola é um dos tema centrais no desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal, concluíram os intervenientes no debate e-Educação, promovido pela APDSI.
O que tem o sector da educação a ganhar com o desenvolvimento da Sociedade da Informação? Esta foi a pergunta colocado pela APDSI (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação) aos diferentes participantes no debate sobre e-Educação, realizado recentemente.
E a conclusão é que há muito para ganhar, mas também, até lá, há muito para fazer. E sem dúvida que a aproximação da escola à sociedade da informação é um ponto central no desenvolvimento desta relação.
Neste debate, o tema “Educação e Tecnologia” serviu de mote para a sessão de arranque da conferência e-Educação. Das opiniões de Paulo Dias, da Universidade do Minho, António Carvalho Rodrigues, do Centro de Competências “Entre Mar e Serra”, Adelaide Franco, da Microsoft, e Frederico Carvalho, da Intel, “moderadas” por Roberto Carneiro, saíram algumas das ideias que marcaram o sentido de discurso ao longo do restante tempo que durou o encontro na Gulbenkian.
Paulo Dias construiu a sua intervenção em redor dos desafios que se colocam ao sistema educativo na aproximação à SI, considerando que a escola não vai poder viver à margem do cenário tecnológico uma vez que a “revolução” já está em curso.
Uma das ideias chave do discurso deste professor da Universidade do Minho foi a Internet como potenciadora da criação de “comunidades de aprendizagem”, comunidades que não se limitam à reunião de sujeitos dentro de uma sala, agrupados por idades e por níveis de escolaridade, mas sim à reunião de interesses, à partilha de objectivos.
António Carvalho Rodrigues deixou a mensagem que a introdução das tecnologias, por si só, não tornam a escola perfeita, mas que acredita na “capacidade transformadora” da Internet para ajudar a resolver alguns dos velhos problemas das escolas.
Central em todo este processo de mudança é o professor e o seu papel, também em transformação, mencionou-se.
Rede de trabalho
Por sua vez, Adelaide Franco e Frederico Carvalho, respectivamente da Microsoft e da Intel, mostraram os produtos e projectos que as empresas que representam desenvolvem para e na área da educação.
Foi o caso do “Partners in Learning” ou o “Portal dos Professores Inovadores” – que conhecerá em breve adaptação para português -, da fabricante de software, e o programa Educação para o Futuro e a competição “Intel ISEF”, da fabricante de processadores.
Para da divulgação das iniciativas que decorrem, a responsável da Microsoft acrescentou ainda que as TIC se colocam como um desafio à escola no seu todo: à gestão escolar, que tem que estabelecer políticas de desenvolvimento, aos professores, que têm que conhecer as suas potencialidades e adquirir competências para as utilizar no momento certo, e aos alunos, que têm que perceber que as TIC podem ser usadas também para aprender.
No painel também se convencionou lembrar que as “novas tecnologias” já não são novas para a maioria dos jovens. “Na actual economia global, as escolas devem assegurar que os alunos não só desenvolvem competências na área das TIC como possuem um raciocínio criativo e capacidade de comunicá-lo de forma clara e efectiva”, aconselhou Frederico Carvalho, em nome da Intel.
Francisco Pacheco, da Associação de Profissionais de Ensino de Portalegre, colocou a ênfase do seu discurso no ensino pré-escolar, “os alicerces da casa”, como lhe chama, e na formação de professores, dois aspectos que não deverão ser descurados na construção de um sistema educativo que ajude a transformar a Sociedade da Informação numa realidade, enquanto Vítor Teodoro, da Universidade Nova de Lisboa, mostrou-se contra a ideia de que nada mudou no sistema educativo nos últimos anos e alertou para a necessidade do esforço de digitalização “de tudo quanto seja possível”. “Os conteúdos online devem existir, independentemente de serem acedidos por muita gente ou não”.
E o Ensino Superior?
“Só com uma política proactiva das escolas se conseguirá implementar a SI no sistema educativo”, começou por dizer José Lagarto, da Universidade Católica Portuguesa, primeiro a tomar a palavra no painel dedicado ao tema “A experiência das TIC nos ensinos básico e secundário”, que contou com João Pedro da Ponte, da Universidade de Lisboa, como moderador. José Lagarto, ligado a uma experiência de formação online que a UCP conduz – um mestrado em Ciências da Educação – fez igualmente questão de se referir ao papel fundamental que o professor ocupa neste processo, em que se exige que adquira novas competências.
Neste âmbito, o projecto “b-On” da UMIC, explicado por Diogo Vasconcelos, marcou presença no “e-Educação”, um dos exemplos apontados por Vítor Teodoro como o tipo de iniciativas que deveriam acontecer mais frequentemente.
Notícias Relacionadas
- Dias Figueiredo é “Personalidade do Ano na Sociedade da Informação”
- APDSI lança glossário da Sociedade da Informação
- “Chave da investigação está na parceria entre Universidades e Empresas”
- O Direito de Autor na Sociedade da Informação, em livro
- APDSI quer Sociedade da Informação como quarto eixo do Plano Tecnológico










