A estratégia da MicroStrategy continua a assentar na melhoria da tecnologia e na melhoria da percepção por parte dos clientes da importância das soluções de BI
Desde o final de década de 80, quando fez sua primeira aparição comercial, então baptizado de Executive Information System (EIS), até tornar-se Business Intelligence (BI) no final dos anos 90, os sistemas de extracção e análise de dados tornaram-se mais sofisticados.
Para sobreviver neste segmento e ganhar quota de mercado, e ao contrário de concorrentes como a Business Objects, a Hyperion ou a Cognos, a MicroStrategy, ao invés de avançar para aquisições de empresas que complementassem a sua plataforma de análise, apostou no desenvolvimento interno e em alianças com outros fabricantes de TI, como a Microsoft, IBM e a Teradata.
Na visão de Michael Saylor, Chief Executive Officer e fundador da empresa, que completa 15 anos em 2004, a prioridade é ter uma tecnologia que funcione.
IDG Now
Porque razão a MicroStrategy não adoptou a mesma estratégia de aquisição dos concorrentes, baseada na aquisição de outras empresas para complementar as respectivas plataformas de BI e ganhar quota de mercado?
Michael Saylor
Na MicroStrategy acreditamos que é mais importante ter uma tecnologia que funcione e que possa crescer. Temos clientes que começaram com uma aplicação (de BI) para 50 utilizadores e hoje possuem quatro aplicações para 2.500 utilizadores.
Por isso, a nossa ideia é remover bugs e adicionar funcionalidades ao produto para manter o valor da tecnologia.
Outro problema em não solucionar bugs é que, com o tempo, as pessoas esquecem como um determinado software foi construído e cada vez que adicionam uma nova característica ao sistema, este simplesmente quebra.
Por exemplo, o antigo sistema operativo da IBM, o OS2, chegou a um ponto que não aceitava mais upgrades.
Na nossa indústria, a chave é ampliar as características do sistema sem adicionar custos aos clientes.
O nosso mercado está a crescer muito rápido e o tempo é curto para nos distrairmos com o produto da aquisição de uma empresa.
Em 1995 havia no mercado mais de vinte cinco fornecedores de soluções de BI. Hoje temos cerca de cinco, sendo que nenhuma companhia deste sector se tornou relevante ao ser adquirida.
IDG Now
E porque razão gigantes como a Microsoft, a Oracle ou a IBM não apostaram no BI, adquirindo empresas?
Michael Saylor
Mas apostaram. Temos a Express, que foi adquirida pela Oracle e desapareceu.
A IBM, que comprou a Metafore e lançou seu DB2 OLAP (Online Analytical Process), mas o sistema nunca descolou.
A Sybase, que também teve uma iniciativa neste mercado e que não foi para a frente, e até a Microsoft, que adquiriu uma empresa de BI em meados de 1996 para integrar a tecnologia à base de dados SQL, mas acabou por levar melhoria ao Excel.
Além disso, para ser competitivo neste mercado, é preciso suportar bases de dados como o DB2 e Oracle, ou sistemas operativos Unix e Linux.
É necessário ser mais escalável do que empresas como a Microsoft podem ser.
IDG Now
Em Novembro de 2003, apostaram em ferramentas como o MicroStrategy Report Services e na integração do MicroStrategy 7 com o Microsoft Office para tornar o BI mais amigável. Qual é a estratégia dessa aproximação do BI com os utilizadores finais?
Michael Saylor
Criar um produto bonito é simples.
Nós quisemos criar um produto bonito, fácil e inteligente.
No Office, torna-se fácil e o utilizador ganha melhorias no Excel.
Com o Report Services, o utilizador ganhou o uso do PDF para enviar as suas análises via web. Mas o diferencial em relação ao Access [da Microsoft] ou a um Crystal Reports [da Business Objects], é que o nosso produto é capaz de analisar uma base de 10 terabytes de dados, ou seja, é um relatório de BI bonito, mas funcional.
Acho que o Access é eficiente para PME, mas não para uma companhia como a American Express, por exemplo.
Outra vantagem é que levámos um ano para desenvolver o Report Services.
Se tivéssemos adquirido uma empresa com esse objectivo, levaríamos três anos para integrar a tecnologia e ainda teríamos que lidar com uma base de utilizadores que tinha sido adquirida.
IDG Now
Quais segmentos estão mais interessados no BI?
Michael Saylor
Além do retalho, no ano passado, observamos um forte interesse de companhias de seguros, administradoras de cartões de crédito, da área de governo e de logística.
IDG Now
E para onde vai o BI?
Michael Saylor
As aplicações iniciais de BI faziam avaliações de vendas versus orçamentos, agora temos avaliações reais versus previsões.
Isso significa que um utilizador pode avaliar padrões e, com base neles, prever fraudes bancárias, avaliar a autorização do débito automático de uma conta de luz no cartão de crédito de um cliente, detectar desfalques em caixas de supermercado, ou ainda rastrear e-mails observando que aquele utilizador que recebe 27 mensagens por dia, recebeu 2 milhões e que ali esta uma praga virtual.
Com o sistema de BI já foi possível verificar que alguns caixas de uma rede de supermercados aceleravam a digitação no final do expediente, esperando o encerramento da loja para retirarem uma soma extra do caixa.
Noutro relatório detectou-se uma fraude na promoção de um fabricante de cigarros e a empresa estava a perder parte do investimento realizado naquela promoção.
Por isso, algumas empresas podem investir cinco milhões de dólares no nosso software porque reconhecem o valor dos detalhes entre milhares de dados transaccionados.
Essa é diferença entre uma ferramenta de BI e uma aplicação como o Excel.
Há cerca de dez anos, o diferencial era extrair os dados de forma inteligente para gerar 37 novas oportunidades de negócio.
Depois o sistema evoluiu para detectar 42 acções incorrectas numa empresa e assim o sistema evoluirá cada vez mais para a previsão de factos.
Mesmo assim, a nossa indústria ainda está numa fase embrionária e precisamos de mais dez ou vinte anos para limpar dados e ter uma tecnologia ainda melhor, que nos traga caminhos mais empolgantes.










